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Ação-Reação

Guilherme Rego

A Covid-19 praticamente parou a cidade. O movimento restringe-se ao essencial e à testagem em massa, cada vez mais frequente.

Quatro semanas passaram desde o anúncio dos primeiros casos, e o controlo pandémico, apesar de reconhecido, não foi suficiente para conter o número de infeções.

Entra-se então numa semana de confinamento parcial – crucial para reduzir o número de casos e projetar a reabertura com o Continente.

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Aqui, as opiniões polarizam-se mais uma vez; uns aplaudem as medidas, dizendo até que deveriam ter sido implementadas mais cedo; outros sofrem de angústia, porque vêem lá fora que a convivência com o vírus já não carrega o drama que em tempos se pesou em vidas. Dada a natureza desta variante, detetável após dois ou três dias, as restrições que hoje vigoram podem reverter a sua evolução na comunidade numa questão de dias.

O mais importante é retomar a atividade económica o quanto antes e isso só irá acontecer quando o vírus for mitigado. Durante 23 dias tentou-se equilibrar a saúde e a economia. No fim, percebeu-se que nenhum dos dois saiu a ganhar.

Precisamos de portas abertas com o Continente – será assim até diversificarmos as fontes de rendimento – e, para isso, temos de ser rápidos e eficazes sempre que o vírus entra na Região, evitando perdas mais do que necessárias para a economia. Outra questão é a política em si, mas essa não depende de Macau.

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O que depende de Macau é a capacidade de resposta e, sobretudo linhas orientadoras para a população – essas não existem. É sempre uma luta de ação-reação em que a cidade está sempre do lado errado. Sobretudo temos de agir, porque a reação tem sido sempre diferente e com dinâmicas que apanham todos de surpresa, argumentando que a adaptabilidade à estirpe é conceito–chave.

As pessoas precisam de saber com o que contam, permitindo reduzir a ansiedade e as dúvidas. As empresas certamente também beneficiariam disso, preparando atempadamente a adaptação às restrições, sabendo também com que apoios poderiam contar previamente.

Que este surto sirva de lição, para que rapidamente e em consonância com a população, se implemente linhas de ação.

É importante preparar todos para uma nova onda, sabendo que circunstâncias ativam determinadas medidas. Se por um lado este surto expôs as fissuras do Governo, revelando a inexperiência das autoridades em certos casos, serviu também para as calejar e acelerar pressupostos importantes para controlar futuros surtos de forma mais organizada.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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