CNE defende decisão de transmissão de debate em televisão privada

CNE defende decisão de transmissão de debate em televisão privada

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) defendeu hoje a decisão do organismo acordar com a televisão privada GMN TV, em vez da pública RTTL, os direitos para a transmissão do debate dos 16 candidatos presidenciais.

“Quero explicar ao público e pedir compreensão para esta situação. Temos três televisões e por isso fizemos pedidos às três para nos apresentarem cotações para o serviço. Depois foram seguidas as regras de aprovisionamento”, afirmou José Belo, em conferência de imprensa.

“A CNE fez avaliação das propostas que foram avaliadas em plenário. A TVE não conseguiu apresentar cotação, e só a GMN TV e a RTTL é que apresentaram”, notou.

José Belo disse que a decisão final se baseou em “vários critérios”, incluindo o preço, com a GMN a apresentar um orçamento de cerca de 12 mil dólares contra os 26.500 apresentados pela RTTL.

À Lusa, José Belo explicou que os critérios incluíram aspetos como a “avaliação da qualidade” do serviço oferecido, destacando que a GMN TV oferece cobertura em várias plataformas, nacional e internacional, um sistema digital e melhor equipamento.

Também no que toca à escolha do moderador, Expedito Ximenes – jornalista da GMN TV e atualmente presidente interino do Conselho de Imprensa – José Belo explicou que a decisão foi tomada depois de avaliar várias possibilidades de moderadores.

Ainda assim insistiu que o moderador “não é o centro do debate” e que meramente se limitará a colocar “um total de 20 perguntas”, decididas pela CNE de entre “quase 100 perguntas” enviadas por várias personalidades e jornalistas.

“Estas perguntas estão em sigilo e os candidatos só as conhecerão no debate”, enfatizou.

Recorde-se que a decisão da CNE sobre o debate foi contestada por pelo menos dois candidatos, Francisco Guterres Lú-Olo e Virgílio Guterres, tendo sido alvo de discussão nas redes sociais em Timor-Leste.

A candidatura de Lú-Olo contestou a decisão, questionando o que considera ser a “parcialidade” da cobertura que a GMN TV tem feito da campanha, dando maior destaque à candidatura do ex-presidente e Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta.

Virgílio Guterres considerou que a CNE está a “transformar um direito público numa comodidade comercial”, questionando para quem tem servido o investimento na RTTL e recordando que as televisões privadas se regem por uma “ótica comercial”.

José Belo falava em conferência de imprensa na sede da CNE no antepenúltimo dia da campanha, que na reta final se vai mudar significativamente para Díli, onde se concentra a maioria dos candidatos.

Belo disse que, apesar de alguns pequenos incidentes, a campanha tem decorrido bem, voltando a apelar aos candidatos para não usarem crianças na campanha e notando que em alguns casos se têm ouvido ataques pessoais em vez de apresentações dos programas e compromissos dos candidatos.

Vincou ainda a necessidade de se respeitar o calendário da campanha acordado com a CNE, visto que alterações de última hora tornam difícil garantir a necessária segurança e a presença de supervisores da CNE e de observadores internacionais.

Belo referiu-se ainda à decisão do Tribunal de Recurso, que considerou nula a decisão da CNE de travar a votação dos eleitores na Austrália, afirmando que a CNE mantém a sua posição, mas que vai acatar as ordens do Tribunal.

A campanha eleitoral termina na quarta-feira e a votação está marcada para sábado.

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