“A procura dos jovens (de Macau) em adquirir imobiliário é elevada” - Plataforma Media

“A procura dos jovens (de Macau) em adquirir imobiliário é elevada”

Macau imobiliário

Ryan Choi, da Ambiente Properties, falou com o PLATAFORMA sobre os obstáculos da população jovem em adquirir apartamentos residenciais em Macau. O consultor imobiliário acredita que, a curto prazo, Hengqin e a Área da Grande Baía ainda não são soluções para os jovens locais e que o Governo deve aumentar a oferta de habitação social

Tendo em conta o preço do imobiliário em Macau, será que a curto prazo Hengqin e a Área da Grande Baía representam soluções para os jovens adquirirem casas?

Ryan Choi- Vejo isso mais como uma solução a médio prazo e não tanto a curto prazo. Os fatores principais serão o projeto do Novo Bairro de Macau em Hengqin, a calendarização da diminuição das barreiras de transporte (carros com uma só matrícula a entrar em Hengqin) e a imigração. Na realidade, a diferença de preço do imobiliário em Hengqin e Macau já não é tão grande, comparando as condições de vida e as distâncias laborais. A intenção de comprar e viver em Hengqin ainda é baixa. Acresce ainda que as baixas taxas hipotecárias (um máximo de 70 por cento para bancos de Macau que oferecem crédito à habitação na China) e as altas taxas de juro de empréstimo serão barreiras na compra de imobiliário em Hengqin. Tendo em conta as diferenças nos dois mercados, neste momento, as cidades da Grande Baía ainda são vistas como investimento secundário e não primário.

Leia também: Hengqin implementará medidas de apoio à finança moderna em Macau

– Será que os bancos estão capacitados para facilitar o crédito à habitação, concretamente para que seja possível pagar, pelo menos, o sinal de entrada (algo visto como principal obstáculo para os jovens de Macau que procuram comprar imóveis)?

R.C.- As taxas de juro estão ainda num nível baixo (menos de 2 por cento). Os bancos locais estão a incentivar com descontos extras nos juros de primeiro ano, empréstimos para renovações e uma taxa de empréstimo do Governo (que cobre cerca de 3 por cento do total do preço da propriedade). Isto ajuda o comprador a reduzir a sua pressão financeira.

– O Chefe do Executivo mencionou a elaboração de um livro branco sobre políticas de habitação. Acredita que o Governo é capaz de implementar medidas eficazes para resolver o problema dos preços do imobiliário ou a dupla procura/oferta irá eventualmente encontrar maneira de reduzir a carga financeira para os mais jovens?

R.C.- O foco será planear a habitação pela qual o Governo é responsável, especialmente ao nível da “classe sanduiche”. Este tipo de habitação serve para providenciar casas para aqueles que estão na classe média, mas que excedem um certo nível de rendimento quando se candidatam ao subsídio imobiliário e não têm fundos suficientes para comprarem no mercado ‘normal’. A estrutura, os requisitos do perfil do comprador, as restrições da revenda e a flutuação dos preços são aspetos importantes para potenciais compradores de casa no mercado.

Desde 2018, com a introdução do rácio dos empréstimos hipotecários destinados à primeira aquisição de bem imóvel a jovens qualificados, a principal força motriz do mercado tem sido os primeiros compradores, enquanto a estrutura (empréstimo de 80 por cento para propriedades de valor igual ou inferior a oito milhões) tinha sido absorvida pelo mercado durante anos. Para considerar a estabilidade e o crescimento da saúde do mercado, foi estabelecido um novo teto de empréstimo (70 por cento entre 8 a 10 milhões e 60 por cento entre 10 a 12 milhões) que pode flexibilizar a pressão sobre aqueles que procuram fazer um upgrade. Deste modo, aumenta-se a oferta no mercado.

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– Tem visto um aumento (ou um decréscimo) de jovens a comprar casas em Macau? A longo prazo, que tipo de propostas poderão resolver a questão da dificuldade dos jovens na compra de uma casa?

R.C.- A procura dos mais jovens em adquirir imobiliário é contínua e elevada, pelo que observamos que comprar uma primeira casa em Macau é ainda um objetivo comum. Com informação mais transparente, estes jovens são sensíveis a uma potencial listagem – especialmente para a que está mais ao nível de entrada.

O Governo poderia aplicar estes pontos para resolver a situação: aumentar a oferta habitação da “classe sanduíche” ou mais habitação subsidiada; aumentar o custo de manter a posse de propriedades vazias; divulgar as condições de empréstimo (como mencionei na resposta anterior). Naturalmente, o ponto de viragem e o equilíbrio devem ser considerados, como por exemplo: aumentar a oferta vs. não provocar um impacto exacerbado no mercado privado; divulgar as condições de empréstimo vs. controlo do risco de crédito. As medidas precisam de ser concebidas de acordo com a realidade atual.

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