Argentina lembra os 20 anos da pior crise de sua história

Argentina lembra os 20 anos da pior crise de sua história

Milhares de argentinos participaram de manifestações pacíficas na Praça de Maio no vigésimo aniversário da crise popular de 19 e 20 de dezembro de 2001, cuja repressão deixou 39 mortos em meio a uma crise econômica sem precedentes

No final desse domingo, na Praça de Maio, foram instalados vários estandes de organizações sociais, sindicatos partidos de esquerda para realizar uma vigília: de um lado se escutava um discurso, da outra ponta um debate, mais além a projeção de um documentário que lembra a crise.

A manifestação vai acabar na segunda-feira com um grande protesto com participação de setores próximos dos governo (peronista de centro-esquerda).

A Argentina viveu há 20 anos a pior de suas crises econômicas e política, que derivou na maior moratória da história, derrubando o câmbio fixo, com depósitos bancários confiscados e o presidente conservador Fernando de la Rúa fugindo de helicóptero em meio à rebelião popular.

“Recordar 2001 não pode ser só nostalgia. 2001 tem que ser aprendizagem, porque de novo estamos na mesma situação. A dívida é com o povo”, advertiu Ofelia Fernández, legisladora pela coalizão de governo Frente de Todos, de um lado da manifestação.

Em outro ponto da praça, foi feita uma mesa de debate do Pólo Trabalhador, organização de manifestação da esquerda radical, que surgiu no calor da crise de 2001.

“Estou orgulloso de estar aquí 20 anos depois. 2001 foi um golpe popular, uma rebelião popular que atingiu o coração do poder político”, disse o dirigente Néstor Pitrola ao advertir que duas décadas depois “estamos outra vez suplicando Washington por um acordo (com o Fundo Monetário Internacional) que vai nos trazer uma década de miséria”.

Mais cedo, o presidente Alberto Fernández inaugurou uma placa na explanada da Casa Rosada (governo) com os nomes dos 39 mortos, e disse considerar necessário que “o Estado nacional institucionalmente tome a responsabilidade pelo ocorrido”.

“Em memória dos que foram vítimas da violência institucional defendendo a democracia em todas as ruas do país. A dor pelas vidas perdidas é a fundação para lutar por uma Argentina justa”, diz a placa.

O governo anunciou que vai enviar um projeto de lei que para estabelecer uma indenização para as vítimas da repressão policial.

Ao falar para os familiares das vítimas, Fernández lamentou que “a justiça demorou 20 anos para chegar”.

Na semana passada, a Câmara de Cassação confirmou as condenações emitidas em um julgamento de 2016 do então Secretário de Segurança Enrique Mathov (4 anos e 3 meses) e do ex-chefe da polícia Rubén Santos (3 anos e meio), por três homicídios culposos (involuntários) e lesões em 25 vítimas.

No entanto, as sentenças não são definitivas, porque tiveram apelações no Supremo Tribunal Federal.

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