Descendentes de antigos escravos falam de calvário - Plataforma Media

Descendentes de antigos escravos falam de calvário

Levados para São Tomé e Príncipe em navios negreiros, durante a época da escravatura, milhares de angolanos trabalharam, durante séculos, em condições particularmente degradantes.

No que se poderá chamar de reencontro com uma das mais negras páginas da História, o Jornal de Angola foi até ao arquipélago de São Tomé e Princípe, percorrer antigas roças de cana-de-açúcar, cacau e café, para onde, levados em navios negreiros, como escravos, milhões de angolanos trabalharam durante séculos em condições das mais degradantes, que ultrapassam qualquer racionalidade.

Qual delas a mais dramática, ouvimos histórias de famílias de descendentes de escravos, primeiro e, depois, de contratados angolanos, que formaram numerosas famílias e que permaneceram nas dezenas de dependências de roças de maior dimensão, no passado, como as de Monte Café, próximo da cadeia montanhosa da área de Me-Zóchi, Água Izé, junto ao litoral Norte e Rio D’ouro, mais a Sul e que se destacava, também, na produção de cana-de-açúcar, algo que resulta, hoje, numa pequena indústria.

No Monte Café, nossa primeira paragem à descoberta de histórias de angolanos que foram parar a São Tomé, visitámos o Museu do Café, local de visita obrigatória de pesquisadores e outros curiosos. Pudemos perceber todo o processo da produção, recolha e selecção do café, um trabalho rigoroso feito por escravas, que eram obrigadas a entregar diariamente até 30 quilos. Aí faz-se uma viagem pela história do café, mas é um capítulo à parte.

O Monte Café é considerado como uma das mais antigas plantações do também chamado “bago vermelho” em São Tomé e Príncipe, cuja expansão para várias dezenas de dependências teve um grande envolvimento de escravos “comprados” em Angola.

A sua localização geográfica (zona alta) permite a disponibilidade de vastos terrenos para a cultura do café arábica, algo que lhe colocou mesmo na posição cimeira nesse segmento e, também, do cacau.

No passado, foi sede da Sociedade Agrícola Terras de Monte Café e tinha como dependências as roças de São Nicolau, Nova Moca, Saudade, Bemposta, São José, Santa Catarina e outras, cuja força de trabalho era constituída por angolanos, que chegavam à Ilha, em barcos como o Kwanza e moçambicanos, o Sofala.

Para chegarmos até Monte Café, atravessamos várias vilas, como Trindade, essa considerada como uma das principais urbanizações da capital são-tomense e, por isso, sede administrativa do distrito de Mezochi.

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