Memórias - Plataforma Media

Memórias

Em Abril de 1983 desembarcava no velho cais de jetfoil de Macau. O ar pesado da humidade e o cheiro bafiento do terminal marcavam o meu primeiro encontro com o Oriente. A adaptação ao novo ambiente foi-se fazendo lentamente, entre interrogações, surpresas e alguns encantos.  

Ainda em novembro desse ano conheci o circo automóvel. Na época do Grande Prémio a cidade transfigurava-se. Uma estranha metamorfose que ainda hoje se constata. Mas nos anos 80 e 90 era sem dúvida diferente. A cidade também o era, que por ser pouco modernizada, fazia com que o evento também o fosse.

Era outro charme… sentia-se o GP antes de acontecer, quando à noite as ruas viravam palco de praticantes locais, que testavam as suas máquinas e perícias. As corridas eram presenciadas por um público empoleirado em árvores e por detrás de muros junto à pista. Eram raras as vedações de proteção e o roncar das máquinas vivia-se da proximidade.

As bancadas, em menor número, eram feitas pelos profissionais do bambu. Claramente outros tempos… em que cães se passeavam pela pista, oficiais de bandeiras estavam expostos ao sol intenso e adormeciam apenas para acordar com o tombo na pista.

Os carros e motos não resistiam às frágeis proteções e terminavam nas águas do Delta, com consequências que estranhamente agitavam a multidão. Com o decorrer dos anos o circuito foi-se tornando mais profissional, com melhorias na segurança e restrições no acesso e mobilidade do circuito. Já lá vão quase 40 anos desde o meu primeiro contacto com o GP. Muita coisa mudou, na cidade e no circuito. Mas a tradição continua.  

Assine nossa Newsletter