Tarrafal: a prova da crueldade do regime colonial de Salazar -

Tarrafal: a prova da crueldade do regime colonial de Salazar

Tristemente célebre, o Campo de Concentração de Tarrafal – Chão Bom, situado na ilha de Santiago, em Cabo Verde, continua a ser a prova inequívoca da crueldade praticada pelo regime fascista português, de 1962 a 1974, que tinha à cabeça António de Oliveira Salazar e, nos seus últimos tempos, Marcelo Caetano.

Passaram pelo Centro Penal de Tarrafal 106 angolanos, que faziam parte de grupos de diferentes orientação política (MPLA, UNITA e FNLA). Estes angolanos foram desterrados para ilha de Santiago por estarem inconformados com a re-pressão fascista e procuravam, então, fórmulas para derrubar os comandados de Salazar que, em Angola, e nas outras colónias, não davam espaço para nenhum tipo de liberdade aos próprios donos da terra.

Entre os angolanos que padeceram nas masmorras de Chão Bom, cujas idades estavam na faixa dos 20 aos 70 anos, havia intelectuais, jovens com formação técnico-profissional e superior, estudantes com níveis bem avançados, operários, médicos, engenheiros, enfermeiros, funcionários de serviços públicos, escritores e músicos. Era um grupo bastante heterogéneo. Pelo seu posicionamento político e intelectual, inquietava a PIDE/DGS, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado português, cuja finalidade era perseguir, prender e interrogar qualquer indivíduo que fosse visto como inimigo à ditadura salazarista.

Primeiros presos angolanos chegaram em 1962

A cela dos angolanos tinha as mesmas dimensões que aquelas onde estavam os presos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Pouco mais de 50 metros de comprimento e cerca de 15 de largura, com um quarto de banho exíguo, com latrina e uma torneira, onde escorria água sistematicamente.

Inicialmente, em 1962, um ano depois dos ataques do 4 de Fevereiro de 1961, que marcaram o início da luta armada no país, a cela albergou 31 indivíduos.

Portanto, o primeiro grupo de presos angolanos que pisou o solo cabo-verdiano era composto por 31 elementos. Entre eles constavam os destacados nacionalista Adriano Mendes de Carvalho, José Diogo Ventura, António Cardoso, Carlos Alberto Van-Dúnem, entre outros, que eram os principais alvos a “abater” da PIDE/DGS, pouco depois 1957, quando em Angola, particularmente em Luanda, a luta na clandestinidadeganhava corpo.

Pouco depois de 1962, segundo os arquivos do Centro Prisional, a que o Jornal de Angola teve acesso, o regime colonial transferiu de Angola para Tarrafal um grupo de 65 presos. Alguns, que integravam o elenco tinham sido condenados no célebre julgamento do Processo 50.  A esmagadora maioria tinha sido preso em 1958 e 1959, pela PIDE, e acabaram por ser julgados pelo Tribunal Militar de Luanda, em finais de 1960.

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