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Investir na abertura

O relatório norte-americano que elogia o ambiente de investimento externo em Macau pode nem ser surpreendente; mas é nesta altura particularmente relevante. Porque a pandemia pressiona a economia; a vocação nacionalista levanta dúvidas sobre as relações com o ocidente – especialmente lusófono; e a pressão política ergue barreiras à afirmação internacional da China – incluindo Macau e Hong Kong. Razão pela qual este documento, vindo de onde vem, ilumina o horizonte. 

A queda brutal das receitas nos casinos, o desemprego, a falência de pequenos e médios negócios sobretudo comércio e restauração – exigem a Macau uma reação proativa. E a face do investimento externo é uma peça fundamental, que em nada choca com a integração regional. Antes pelo contrário, porque a missão de ser ponte entre o exterior e o interior só pode ser cumprida com a consciência e interesse de ambos os lados. 

O desígnio das relações externas é a melhor – senão a única – forma de Macau ser relevante no contexto da região económica especial da Grande Baía. 

Macau tem de apostar no que pode controlar. A integração na Grande Baía é uma decisão nacional – não é local. Já a visão estratégica com que deve fazê-lo, a criatividade e a competência com que tem de encarar essa oportunidade perde para o vício da esperar por ordens e instruções, o que não aproveita a autonomia nem serve a ninguém. 

A ideia de que a pandemia um dia acaba, arrastando-se a ilusão de que Macau pode esperar por um tempo que desconhece, numa bolha ilusória rendida à fronteira terrestre, é anacrónica e disfuncional. Urge promover a mobilidade – com os devidos cuidados de saúde. Por um lado, a integração regional é essencial para aumentar o interesse ocidental por esse mercado alargado; por outro, o desígnio das relações externas é a melhor – senão a única – forma de ser relevante no contexto da região económica especial da Grande Baía. 

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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