Força conjunta desdobra-se em operações de limpeza em Mocímboa da Praia - Plataforma Media

Força conjunta desdobra-se em operações de limpeza em Mocímboa da Praia

O comandante do Exército moçambicano disse esta terça-feira que a força conjunta que reconquistou, no domingo, a sede de Mocímboa da Praia desdobra-se em “missões de limpeza” em todo distrito.

“Neste momento, decorrem missões de defesa em toda área de Mocímboa da Praia”, disse Cristóvão Chume, em declarações à comunicação social a partir da sede daquele distrito costeiro, no Norte de Cabo Delgado.

Segundo a fonte, a operação que culminou com a recuperação da sede de Mocímboa da Praia foi feita a partir de quatro eixos, dois dos quais, por via marítima, estavam na responsabilidade das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e os outros dois, por via terrestre, nas mãos das forças ruandesas que apoiam o país desde o início de julho.

“A responsabilidade da parte moçambicana era de tomar Mocímboa da Praia através do porto e a responsabilidade da tropa amiga [Ruanda] era de garantir a tomada do aeroporto, de forma que as duas infraestruturas que são estratégicas, de ponto de vista militar, pudessem estar seguras”, declarou Cristóvão Chume, admitindo, no entanto, que “o inimigo não ofereceu muita resistência”.

A vila costeira de Mocímboa da Praia, por muitos apontada como a “base” dos insurgentes e onde os ataques começaram em outubro de 2017, é uma das principais do norte da província de Cabo Delgado, situada 70 quilómetros a sul da área de construção do projeto de exploração de gás natural conduzido por várias petrolíferas internacionais e liderado pela Total.

A vila tinha sido invadida e ocupada por rebeldes em 23 de março do ano passado, numa ação depois reivindicada pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, e foi, em 27 e 28 de junho daquele ano, palco de longos confrontos entre as forças governamentais e os grupos insurgentes, o que levou à fuga de parte considerável da população.

A reconquista da vila pelas forças conjuntas de Moçambique e Ruanda ocorreu por volta das 11:00 de domingo, após semanas de operações militares, com as forças ruandesas a estimarem, a partir de Kigali, baixas de, pelo menos, 70 pessoas entre os insurgentes.

Grupos armados aterrorizam a província de Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Na sequência dos ataques, há mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades moçambicanas.

Além do Ruanda, Moçambique tem agora apoio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), num mandato de uma “força conjunta em estado de alerta” aprovado em 23 de junho, numa cimeira extraordinária da organização em Maputo que debateu a violência armada naquela província, havendo militares de alguns países-membros já no terreno.

Não é publicamente conhecido o número total de militares que a organização vai enviar a Moçambique, mas peritos da SADC, que estiveram em Cabo Delgado, já tinham avançado em abril que a missão deve ser composta por cerca de três mil soldados.

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