Síria: Várias ONG formam cadeia humana para pedir retoma da ajuda

Síria: Várias ONG formam cadeia humana para pedir retoma da ajuda

Quase 3.000 trabalhadores humanitários que prestam assistência no noroeste da Síria formaram hoje uma cadeia humana na única passagem de fronteira pela qual entra a ajuda humanitária no país para pedir a retoma de apoio

A cadeia humana estendeu-se ao longo de três quilómetros, forma encontrada pelas organizações não-governamentais para pedir ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para aprovar a renovação da ajuda humanitária, decisão que só deve ser tomada dentro de dez dias.

“A iniciativa foi organizada para pedir a renovação da abertura da única passagem fronteiriça no noroeste da Síria, a partir a Turquia”, explicou à agência noticiosa espanhola EFE um dos organizadores do evento e fundador da organização não-governamental local Violet, Kutaiba Sayed.

Há um ano, o Conselho de Segurança da ONU renovou por 12 meses o mecanismo que permite a entrada de ajuda humanitária através de Bab al Hawa, passagem de fronteira entre a Turquia e o último reduto da oposição na Síria, na província de Idlib, sem passar pelas mãos do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad. 

Os vetos da Rússia e da China, aliadas de Damasco, forçaram então o fecho de uma segunda passagem de fronteira e limitaram o acesso das agências da ONU a apenas uma, que o Conselho de Segurança colocará novamente em votação dentro de dez dias para decidir se permanecerá aberta ou não. 

Os participantes na cadeia humana, representantes de 54 organizações não-governamentais presentes na região, empunhavam cartazes com palavras de ordem como “O Conselho de Segurança da ONU é um mero fantoche nas mãos de Al-Assad?” ou “A ajuda humanitária é um direito, não um privilégio”.

Sayed alertou que o fecho de Bab al Hawa significaria um “grande desastre em toda a área noroeste da Síria”, que está fora do controlo de Damasco e onde vivem cerca de 4,5 milhões de pessoas, incluindo dois milhões de deslocados, a maioria amontoada em tendas.

O ativista explicou que sete agências das Nações Unidas prestam ajuda indispensável na região com iniciativas como a distribuição de cabazes do Programa Alimentar Mundial (PAM) ou os serviços de abastecimento de água e acesso à educação pela UNICEF.

Sayed frisou estar particularmente preocupado com os possíveis efeitos do fim dos trabalhos da Organização Mundial da Saúde (OMS), encarregada de distribuir vacinas contra a covid-19, e que garante “grande apoio” aos hospitais e centros médicos da região.

“Não existem fontes de vida além da ajuda da ONU porque a área é economicamente pobre e as atividades agrícolas são muito limitadas. Interromper essas ajudas causará uma catástrofe para toda a humanidade”, concluiu o fundador da Violet.

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