As luzes do arco-íris

As luzes do arco-íris

O parlamento húngaro aprovou recentemente uma lei a proibir o ensino sobre a homossexualidade e transição de género a alunos menores, recebendo apenas um voto contra. Esta decisão causou imediatamente polémica. A presidente da Comissão Europeia emitiu em resposta um comunicado alertando para o facto de a decisão do Governo húngaro ir contra os valores fundamentais da União Europeia, descrevendo a situação como vergonhosa. De seguida, países como a Alemanha, Holanda, Suécia, França e Irlanda criticaram também a lei húngara.

Embora a escolha da Hungria tenha sido condenada por vários países da Europa Ocidental, recebeu o apoio da Polónia, República Checa e Eslováquia, dividindo a UE. O Governo húngaro não parece, porém, ter intenções de voltar atrás, avançando com a lei, contando com o apoio da Europa de Leste.

Condenar a Hungria não equivale a apoiar a homossexualidade. É uma tentativa de proteger o direito de todos contra a discriminação, não permitindo que o Estado viole estes direitos básicos e que o istema volte ao totalitarismo. A legislação atual discrimina cidadãos homossexuais, mas a de amanhã poderá discriminar portadores de deficiência, e depois as classes mais baixas. Um país deve tentar proteger os direitos dos mais fracos, em vez de os atacar. Um sistema como este é comparável ao regime Nazi.

“Primeiro o regime Nazi prendeu os comunistas, e eu não protestei porque não era comunista. Depois começaram a prender os socialistas, e eu não protestei porque não era socialista. Depois prenderam sindicalistas, e eu não protestei porque não era sindicalista. Depois prenderam os judeus, e eu não protestei porque não era judeu. Quando finalmente me vieram prender, não havia ninguém para me defender.” Este poema escrito há 80 anos por Martin Niemöller ainda nos dá que pensar.

*Diretor Executivo do Plataforma

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