Missão da ONU e da UA no Darfur inicia retirada após 13 anos - Plataforma Media

Missão da ONU e da UA no Darfur inicia retirada após 13 anos

A missão conjunta entre ONU e União Africana no Darfur (Unamid) anunciou hoje a “conclusão do processo de retirada gradual” do Sudão, que será concluída na manhã de quarta-feira, após 13 anos de mandato nesta região do país.

Numa conferência de imprensa, o secretário-geral da Unamid, Babacar Cisse, anunciou que está a completar-se a retirada gradual da missão e que esta terminará na manhã de quarta-feira, em conformidade com a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que em dezembro pôs fim ao seu mandato.

De acordo com o responsável da missão, citado pela agência Efecerca de 6.000 dos 7.000 membros da missão já se retiraram do país, devendo o resto sair na quarta-feira.

Bababar acrescentou que 14 centros de missão já foram encerrados e entregues às autoridades sudanesas, apelidando o processo como “complicado”, uma vez que muitas destas instalações estão em “locais remotos ou de difícil acesso”.

O responsável disse que grande parte do material policial e militar já foi devolvido aos países que o atribuíram à missão.

Babacar Cisse recordou que ao longo dos 13 anos da missão, a Unamid conseguiu devolver 1.300 menores recrutados por grupos armados e contribuiu para a construção de “muitas esquadras da polícia e tribunais rurais”, além de ter reintegrado mais de 11.000 antigos combatentes rebeldes.

Numa declaração, citada também pela Efe, a missão da ONU disse que irá manter uma unidade policial de 363 pessoas durante um ano, a partir de 01 de julho, para proteger o pessoal, instalações e bens das Nações Unidas na base Al Fasher, uma conflituosa zona no Darfur.

O fim da missão de paz em 31 de dezembro foi exigido por Cartum, com apoio da Rússia, China e membros africanos do Conselho de Segurança, mas a data foi considerada prematura pelos membros ocidentais deste organismo da ONU, que exigiram um processo gradual e cauteloso em nome da proteção de civis.

De acordo com as Nações Unidas, o conflito em Darfur causou mais de 300.000 mortos desde 2003 e obrigou cerca de 2,5 milhões a abandonarem as suas casas.

O conflito de Darfur teve início em 2003, quando grupos étnicos africanos acusaram o Governo sudanês, então liderado por Omar al-Bashir, com forte influência árabe, de discriminação.

Nos últimos anos a violência diminuiu acentuadamente, com exceção para ocasionais confrontos locais.

Em outubro, o governo de transição do Sudão assinou um histórico acordo de paz com movimentos rebeldes de várias regiões, incluindo de Darfur.

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