Impacto do Brexit só será conhecido no final da década  - Plataforma Media

Impacto do Brexit só será conhecido no final da década 

O verdadeiro impacto do ‘Brexit’ na economia britânica poderá só ser conhecido no final da década, mas a longo prazo será maior do que o da pandemia de covid-19, afirmaram hoje economistas num evento da Universidade de Birmingham.

Investigador do Centro de Estudos sobre o ‘Brexit’, com especial interesse sobre o impacto na região de West Midlands, no centro de Inglaterra, David Hearne disse que já há sinais de desaceleração do investimento desde 2016, data do referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Quando às exportações, “desde o ‘Brexit’ que o comércio com a UE se tornou mais errático”, marcado pelos sucessivos prazos para concluir as negociações entre 2018 e 2019 e a saída do mercado único em 2020, referiu.

“Vimos uma recuperação este ano, mas é provável que a tendência seja mais lenta devido aos custos adicionais para movimentar bens para fora do país por causa das novas barreiras”, nomeadamente de controlos e documentação acrescidos, vincou.

Segundo este economista, as grandes empresas ajustaram-se, mas as pequenas e médias empresas “estão com dificuldades”.

Num evento destinado a fazer um “diagnóstico” do impacto do ‘Brexit’, seis meses após o fim do período transitório e saída do mercado único e cinco anos após o referendo de 23 de junho de 2016, David Hearne diz que será preciso esperar até “mais para o fim da década para saber o verdadeiro impacto do ‘Brexit'”.

Também David Bailey, professor de Economia na universidade Birmingham Business School, concorda que “o ‘Brexit’ tem um impacto de longo prazo” e que será só ao longo de vários anos que será sentido nas cadeias de abastecimento a pressão nos custos, mão de obra e preços.

“Temos vacina para a covid-19, não temos uma vacina para o ‘Brexit'”, ironizou, referindo que os acordos de comércio até agora negociados pelo Reino Unido com países terceiros não têm a mesma dimensão nem importância que o mercado europeu, destino de cerca de 50% das exportações.

O diretor do Centro de Estudos do ‘Brexit’ da Universidade de Birmingham, Alex de Ruyter, reiterou que o “choque sísmico” da saída da UE terá um “impacto a longo prazo que provavelmente vai durar mais do que o da pandemia” de covid-19.

Para além das divergências que continuam, nomeadamente sobre a Irlanda do Norte ou o acesso do setor financeiro britânico ao mercado europeu, o ‘Brexit’ poderá também transformar o próprio Reino Unido.

“O SNP [Partido Nacional Escocês] vai apresentar uma proposta de lei para um novo referendo à independência dentro de 1-2 anos e o Governo de Boris Johnson vai resistir, mas a questão vai ficar no horizonte”, avisou Alex de Ruyter.

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