Aumentos salariais vão ser mais fracos na sequência da pandemia - Plataforma Media

Aumentos salariais vão ser mais fracos na sequência da pandemia

Governador do Banco de Portugal antecipa maior crescimento desde o tempo de Guterres apoiado por juros baixos, investimento público financiado por fundos europeus e retoma das exportações e do turismo, que estava de rastos.

O aumento médio dos salários nos próximos três anos (2021 incluído) vai ser quase metade da subida registada no período de dois anos que antecedeu a pandemia de covid-19, prevê o Banco de Portugal.

De acordo com o boletim económico divulgado esta quarta-feira e apresentado pelo governador da instituição, Mário Centeno, mesmo com uma retoma bastante forte, o desemprego e as formas de subutilização do trabalho (como empregos a tempo parcial muito reduzido ou trabalhos pontuais) vão persistir em níveis elevados, o que, no fundo, pode permitir às empresas oferecerem ordenados mais reduzidos do que no passado recente, antes desta crise.

Haverá mais gente disposta a aceitar salários mais baixos pois aumenta a competição entre candidatos a empregos.

Segundo o BdP, “o emprego deve aumentar 1% em termos médios anuais em 2021-23, enquanto as horas trabalhadas crescerão 2,5%”. No entanto, os salários devem aumentar pouco mais de 2% nos próximos anos, mesmo já incorporando o aumento substancial do salário mínimo de 4,7% em 2021. Antes da pandemia, a taxa de crescimento das remunerações foi de quase 4%.

No entanto, “os salários crescem mais moderadamente do que no período pré-pandemia”, diz o Banco. “Os salários apresentam um crescimento médio de 2,3% em 2021-23, após uma variação de 2,9% em 2020 e de 3,7% em 2018-19.”

“A recuperação da economia será acompanhada de um aumento da população ativa, com a reentrada de indivíduos desencorajados no mercado de trabalho” e no final do horizonte de previsão, em 2023, o banco central até prevê que o emprego e a população ativa se situem “acima dos níveis anteriores à pandemia (respetivamente 1,2% e 0,7% acima da média de 2019)”.

Neste quadro, “a produtividade por trabalhador aumenta 3,3% por ano em 2021-23, o que, combinado com um aumento moderado dos salários, reduz os custos de trabalho por unidade produzida”.

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