Governo do Brasil deixou sem resposta pedidos de ajuda do Amazonas

Governo do Brasil deixou sem resposta pedidos de ajuda do Amazonas

O ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, acusou hoje o Governo brasileiro de deixar sem resposta quatro pedidos de ajuda para evitar a escassez de oxigénio naquela região, onde dezenas de pacientes morreram asfixiados

Os depoimentos de Campêlo foram prestados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do senado brasileiro, que investiga alegadas falhas do Governo, presidido por Jair Bolsonaro, na gestão da pandemia, entre elas a crise de oxigénio no Amazonas, a defensa de medicamentos sem eficácia contra a covid-19 e a demora na aquisição de vacinas.

O ex-secretário disse ter enviado ofícios ao então ministro da Saúde Eduardo Pazuello nos dias 09, 11, 12 e 13 de janeiro último. Nos dias 14 e 15 desse mesmo mês, mais de 30 pessoas morreram no Estado pela falta de oxigénio.

“A partir do dia 09 de janeiro, enviamos diariamente ofício ao Ministério da Saúde, pedindo apoio em relação a essa questão da logística de oxigénio. Não houve resposta, que eu saiba”, afirmou Campêlo.

Ao longo do seu depoimento na CPI, Campêlo foi atacado por senadores da oposição e da base de apoio do Governo de Bolsonaro, que o acusaram de mentir e afirmaram que o Governo amazonense cometeu “crime de responsabilidade” ao não firmar com antecedência um novo contrato com a empresa White Martins, fornecedora de oxigénio.

“Eu não aguento mais. O Pazuello veio aqui e mentiu. O Élcio [Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde] veio aqui e mentiu. Agora vem o secretário mentir também”, começou por desabafar o senador Eduardo Braga.

“O que o secretário não está relatando é que o contrato com a White Martins era de 250 mil metros cúbicos de oxigénio. Em julho, o fornecimento já estava em 413 mil metros cúbicos. Em agosto, mais de 400 mil. Em outubro, 424 mil. Em novembro, 505 mil. Depois, 582 mil. Havia um aumento gradual, firme e constante em função do número de infetados. O Governo estadual teve tempo suficiente para poder agir”, frisou.

Ainda segundo Eduardo Braga, até hoje o Amazonas não está preparado para enfrentar uma eventual terceira vaga da pandemia.

“Fica claro que nunca faltou dinheiro ao Amazonas para tomar as providências necessárias para o combate da pandemia. O saldo só cresceu. Havia recursos disponibilizados na conta do Governo do Amazonas. Não houve falta de recursos”, disse, por sua vez, o senador Fernando Bezerra Coelho.

No seu depoimento, Marcellus Campêlo confirmou ainda que a secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, esteve em Manaus em janeiro, ocasião em que defendeu com “ênfase” o uso de remédios comprovadamente ineficazes para tratamento da Covid-19, como cloroquina e hidroxicloroquina.

Para o senador Humberto Costa, Manaus foi “uma espécie de experiência para o Governo Federal”.

“Acreditavam que a cloroquina seria capaz de promover um tratamento precoce e diminuir o número de pessoas acometidas e de mortes. Tenho convicção de que, por essa razão, o esforço para garantir o mínimo necessário para o enfrentamento à pandemia em Manaus não foi feito”, avaliou Costa.

O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, que foi destituído do cargo por suposta corrupção durante a pandemia, é o convocado de quarta-feira para depor na CPI.

Apesar de ter entrado com um ‘habeas corpus’ no Supremo Tribunal Federal para não comparecer como testemunha, mas sim como “convidado” na CPI, Witzel disse hoje à revista Veja que se apresentará nq sessão e que responderá a todas as questões.

Contudo, horas depois de confimar que irá comparecer à CPI, o Supremo concedeu-lhe o ‘habeas corpus’ e Witzel terá assim a possibilidade de não se apresentar, de ficar em silêncio ou de não dizer a verdade, segundo o portal de notícias G1.

O Brasil é um dos países mais afetados pela covid-19 no mundo, totalizando 490.696 mortos e 17,5 milhões de casos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.813.994 mortos no mundo, resultantes de mais de 176,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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