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Observatório de classe mundial – A “Vila Marciana” de Qinghai

Bai Ma Yang Cuo

Na vila de Lenghu, localizada na zona noroeste do vale Qaidam, Planalto do Tibete, faz frio e vento todo o ano. O clima é seco e a chuva escassa, com grandes diferenças de temperatura entre o dia e a noite e distinção pouco marcada entre estações. A temperatura média anual é de 4 graus Celcius, como o típico clima continental. As formações rochosas “yardang” fazem com que o local seja apelidado de “Vila Marciana” por turistas nacionais e internacionais, devido à aparência “extraterrestre”

A vila Lenghu faz parte do município de Mangnai, Região Autónoma de Qinghai. Tem uma área aproximada de 18 mil quilómetros, está localizada a cerca de 940 quilómetros da cidade de Xining, capital da província, e a uma altitude de 2.800 metros acima do nível médio do mar.

Recentemente, o Governo de Qinghai, juntamente com a Universidade de Tsinghua, assinaram um acordo de cooperação para a construção de um “Telescópio Espectroscópico Multiplex” (MUST na sigla inglesa) na montanha Sai Shiteng. O objetivo é transformar este projeto num dos maiores edifícios de astronomia do mundo.

Segundo o acordo, o projeto conta com um investimento de cerca de 1.3 mil milhões de yuan, para uma construção que vai prolongar-se por sete anos na vila de Lenghu, com a possibilidade de construir também uma biblioteca de Astronomia quando o projeto já estiver numa fase avançada. Tian Cairang, vice-diretor executivo da Comissão de Administração Industrial de Lenghu, refere que o projeto inclui a construção de um telescópio com 6,5 metros de panorama, procurando desenvolver grandes conquistas científicas na área da astronomia.

Com vista sobre a montanha Sai Shiteng em Lenghu, à noite o céu é límpido, escuro e brilhante.

Deng Licai, líder de investigação Observatório Nacional de Astronomia, afirma que o local possui um grande número de noites de céu claro e estrelado, e as condições aos níveis de extinção (absorção e difusão da radiação eletromagnética) e seeing (deformações atmosféricas) estão de acordo com os requisitos mundiais.

O observatório “Telescópio de Anglo Amplo” (WFST na sigla inglesa) na montanha Sai Shiteng foi também inaugurado em maio do ano passado. Kong Xu, vice-diretor da Faculdade de Astronomia e Ciência Espacial da Universidade de Ciência e Tecnologia da China, explica que o telescópio de 2,5 metros, com um sistema de focagem líder a nível internacional, oferece um amplo anglo de visão, com uma alta precisão de leitura capaz de registar toda a esfera celeste nórdica uma vez a cada três dias.

O Governo da Prefeitura Autónoma de Haixi criou já uma Comissão de Administração para o Parque de Inovação Tecnológica e Ciência Astronómica de Lenghu, que completou acordos de cooperação entre o Observatório de Lenghu e meia dúzia de empresas de investigação científica e está a desenvolver oito projetos, com um investimento total de 1,9 mil milhões de yuans.

Ao longo dos últimos anos, a cidade de Mangnai, com as respetivas características geográficas e condições perfeitas, tem-se transformado num destino turístico para astronomia e ciência. Agora o objetivo é criar em Lenghu uma base de ciência astronómica e tecnologia industrial. Em 2017, Lenghu anunciou o “Plano Vila Marciana”, para a construção de um centro cultural e turístico com base em ciência e ficção científica.

Em março de 2019, de forma a atrair mais peritos na área de investigação científica e astronómica, foi oficialmente inaugurado o Campo Marciano de Lenghu, com um investimento de 150 milhões de yuan. Em marcha estão diversos projetos ligados à observação do espaço e de captação de turismo especializado. Tian explica que o Governo local está empenhado em transformar Lenghu num centro internacional para observatórios astronómicos, popularização da ciência e investigação científica através de promoção administrativa, criação de serviços legais específicos e desenvolvimento industrial.

Uma pequena cidade emergente avança assim em direção ao universo. O público aplaude este crescimento de Lenghu a “velocidade marciana”, pela constante busca e exploração do universo.

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