NATO vai procurar financiamento para forças afegãs após deixar Afeganistão

NATO vai procurar financiamento para forças afegãs após deixar Afeganistão

O secretário-geral da NATO indicou hoje que a Aliança Atlântica vai estudar formas de financiar as forças afegãs quando abandonar o Afeganistão, a 11 de setembro próximo, garantindo que irá continuar a apoiar a segurança no país

“Estamos a analisar assuntos relacionados com a segurança, bem como outros aspetos, como o financiamento” das tropas afegãs”, afirmou Jens Stoltenberg aos jornalistas no final de uma videoconferência de ministros dos Negócios Estrangeiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, no acrónimo em inglês), que antecedeu uma outra dos titulares da pasta da Defesa da aliança.

“Estamos a trabalhar agora em todos esses assuntos e saúdo a mensagem dos aliados. Estão comprometidos com as decisões que tomaram quando decidiram encerrar a operação [no Afeganistão) e que encontraríamos outros meios de apoiar os afegãos”, acrescentou o político norueguês. 

Stoltenberg afirmou que a NATO está a encerrar a sua missão no Afeganistão, prestando atualmente apoio, aconselhamento e formação às forças afegãs. 

“[Mas] continuaremos a fornecer apoio aos afegãos e faremos isso de maneiras diferentes”, assegurou., garantindo que a NATO irá uma presença civil em Cabul para aconselhar na formação das instituições de segurança do Afeganistão.

Em relação ao financiamento, Stoltenberg assegurou que irá continuar.

“Na reunião de hoje, vários aliados disseram claramente que estão comprometidos com a decisão de avançar com fundos”, referiu, sublinhando, por outro lado, que estão também a ser analisadas formas de proporcionar formação e treino às tropas afegãs fora do Afeganistão, sobretudo na preparação de “forças de operações especiais”.

“Estamos a ver como podemos apoiar infraestruturas críticas, incluindo o contínuo funcionamento do aeroporto internacional” de Cabul, acrescentou, considerando que a medida é “importante para a NATO e para o pessoal civil” da Aliança Atlântica, “mas também para a comunidade internacional, em geral”.

Na videoconferência, os chefes da diplomacia também prepararam a cimeira da NATO, marcada para 14 deste mês, em Bruxelas, em que discutiram, além da questão afegã, temas de fundo como a China, Rússia e a recente crise desencadeada com o desvio de um avião comercial para a Bielorrússia para que as autoridades de Minsk pudessem deter um jornalista da oposição.

A este propósito, Stoltenberg recordou a declaração do Conselho do Atlântico Norte, em que a NATO condenou o incidente e pediu uma investigação internacional urgente.

“Exigimos também a libertação de todos os presos políticos” na Bielorrússia, insistiu. 

Por outro lado, Stoltenberg defendeu o aumento do financiamento comum da NATO para cobrir as despesas das suas operações, iniciativa que levantou em fevereiro passado, mas que não tem entusiasmado os membros da organização. 

“Gastar juntos é um multiplicador de forças, é uma forma eficiente de gastar e também envia uma mensagem muito clara para as nossas próprias populações e para qualquer potencial adversário”, argumentou. 

Stoltenberg acrescentou que os gastos conjuntos são também “uma forma de investir na ligação entre a Europa e a América do Norte”, uma vez que a NATO aproxima os dois lados “todos os dias”.

Nesse sentido, insistiu que o aumento do financiamento comum é uma forma de disponibilizar “mais recursos para uma melhor preparação das forças”, bem como para realizar mais exercícios, investir em infraestruturas e trabalhar com os países parceiros.

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