Nampula acolhe 16.000 alunos que fogem da violência em Cabo Delgado - Plataforma Media

Nampula acolhe 16.000 alunos que fogem da violência em Cabo Delgado

Cerca de 16.000 alunos do primeiro ao 12.º ano de escolaridade de escolas de Cabo Delgado, norte de Moçambique, foram integrados em estabelecimentos do distrito de Nampula, anunciaram as autoridades.

Os alunos fazem parte dos 714.000 deslocados devido aos ataques de grupos armados àquela região nortenha de Moçambique, parte dos quais fugiu em direção a sul para Nampula, capital provincial.

O acolhimento das crianças e jovens faz com que Nampula precise de 89 novas salas de aula, referiu o administrador do distrito, Alfredo Matata, citado hoje pelo jornal Notícias.

A cidade é a capital provincial mais populosa de Moçambique depois da zona urbana da capital (Maputo) e respetivos subúrbios.

A educação é um dos setores com dificuldades face à insurgência armada que, segundo as estimativas de organizações humanitárias, já colocou em fuga mais de 300.000 crianças e jovens com menos de 20 anos.

No caso da integração em Nampula, a maioria das crianças vive com as famílias, que tinham parentes ou amigos para os receber no distrito, mas muitas outras vivem em centros de acolhimento afastados.

O presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Luís Bitone, manifestou-se há duas semanas preocupado em particular com a falta de escolas secundárias para deslocados nos centros de acolhimento em Cabo Delgado.

“Muitos centros têm escolas onde lecionam o ensino primário, mas quase todos não têm o ensino secundário, o que quer dizer que há crianças que terminam o sétimo ano e ficam em casa”, referiu.

Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, com alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.800 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e 714.000 deslocados, de acordo com o Governo moçambicano.

O número de deslocados aumentou com o ataque contra a vila de Palma em 24 de março, uma incursão que provocou dezenas de mortos e feridos, sem balanço oficial anunciado.

As autoridades moçambicanas anunciaram controlar a vila, mas aquele ataque levou a petrolífera Total a abandonar por tempo indeterminado o recinto do empreendimento que tinha início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico na próxima década.

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