Covid-19: PR timorense critica “figuras públicas” que violam regras básicas - Plataforma Media

Covid-19: PR timorense critica “figuras públicas” que violam regras básicas

O Presidente timorense criticou hoje “figuras públicas” que violam as regras do estado de emergência decretado devido à covid-19, exigindo ao Governo que garanta o cumprimento das medidas em vigor no país.

“As figuras públicas com responsabilidade não podem dizer que amam o povo e que estão preocupadas com o bem-estar e saúde do povo para seguidamente incumprirem regras básicas de proteção, como o distanciamento social, o uso de máscara ou o completo desrespeito pelo confinamento domiciliário, somente por motivos supérfluos e egoístas”, considerou Francisco Guterres Lú-Olo, numa mensagem enviada ao Parlamento.

“Reunir com populares na via pública sem usar máscara e sem observar o distanciamento social em nada contribui para interromper as cadeias de transmissão do coronavírus. Com que ideia da obrigatoriedade de cumprimento do confinamento domiciliário geral a população fica quando assiste a um cortejo em que participa uma figura pública somente para seu deleite pessoal?”, considerou.

Francisco Guterres Lú-Olo escreveu ao Parlamento Nacional a solicitar autorização para renovar o estado de emergência devido à covid-19 durante mais 30 dias, até 01 de julho, considerando que só “os países que adotam medidas imediatas e rigorosas para conter o contágio pelo SARS-CoV-2 é que conseguem controlar a pandemia”.

Nas últimas semanas, tem aumentado a polémica sobre várias situações de incumprimento das regras do estado de emergência, incluindo com líderes como Xanana Gusmão a participarem em grandes aglomerações.

Várias lojas que não podem estar abertas continuam a operar e outras não cumprem os critérios definidos para a sua abertura.

Por isso, e ao Governo, o chefe de Estado pediu que seja coerente com o estado de emergência, garantindo que implementa as medidas que aprova.

“O Governo não pode ficar alheio à implementação das medidas por si decretadas, do mesmo modo que não pode permitir que um grupo de pessoas continue a ignorar e desrespeitar gravemente essas medidas”, afirmou.

“O Governo não pode exigir o encerramento de determinado tipo de estabelecimentos comerciais e permitir que alguns desses estabelecimentos continuem abertos ao público. O Governo não pode decretar o confinamento domiciliário geral da população e depois permitir que pessoas irresponsáveis andem a praticar desporto, participem em concertos musicais, serenatas durante a noite, ou andem a passear à vista de todos e da própria Polícia”, sublinhou.

Francisco Guterres Lú-Olo considerou que a situação da pandemia no país “nunca foi tão preocupante”, justificando a renovação do estado de emergência e medidas para tentar contrariar a tendência de aumentos de casos.

“Nos últimos dias, para minha mágoa, tenho verificado que os casos positivos de SARS-CoV-19 têm sido, num registo diário, superior à centena. Temos de ser capazes de contrariar esta tendência”, disse Francisco Guterres Lú-Olo na mensagem ao Parlamento Nacional, em que recorda os mortos já registados no país.

“A tristeza com que recebo o anúncio de uma morte ligada a esta pandemia só me deixa mais convicto de que devemos continuar a lutar diariamente para assegurar a saúde e bem-estar de todos nós, nacionais ou estrangeiros”, frisou.

O chefe de Estado notou a gravidade acrescida da pandemia em Timor-Leste e considerou que se mantêm as causas determinantes que justificaram a declaração do estado de emergência e a sua renovação.

Lú-Olo insistiu na necessidade de continuar a aplicar medidas de controlo sanitário e de proteção da saúde pública e disse que não se pode “relaxar a luta” contra a doença.

“A vacinação é igualmente um passo necessário ao processo de prevenção e combate ao vírus. Por isso a vacinação da população, de toda a população que clinicamente possa receber a vacina, deve continuar”, considerou.

“Ao sermos vacinados, não estamos somente a nos proteger. Estamos igualmente a assumir um compromisso na defesa da população de Timor-Leste e de toda a Humanidade”.

Dirigindo-se aos que ainda não acreditam na existência da covid-19, o chefe de Estado disse que devem recordar os milhões de mortos em todo o mundo e criticou em particular os que não respeitam as equipas de saúde.

“Para onde irá um país cuja população não respeita o pessoal da área da saúde que diariamente cuida e protege essa população? Que futuro terá um país que não respeita as suas forças de defesa e de segurança? Que futuro podemos esperar para uma juventude que vira costas à ciência e acredita facilmente em teorias negacionistas, em conspirações e em rumores que lê nas redes sociais?”, considerou.

Timor-Leste está a viver o pior momento da pandemia, com 15 mortes desde o inicio, todas registadas nos últimos dois meses, mais de 2.700 casos ativos e um crescente número de casos graves e moderados a necessitarem de hospitalização.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.500.321 mortos no mundo, resultantes de mais de 168,3 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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