Colonos europeus provocaram a extinção maciça de répteis nas ilhas Guadalupe - Plataforma Media

Colonos europeus provocaram a extinção maciça de répteis nas ilhas Guadalupe

A chegada dos colonos europeus provocou uma extinção em massa de 50% a 70% das populações de serpentes e lagartos das ilhas Guadalupe, segundo um grande estudo de fósseis publicado nesta quarta-feira (19).

O artigo, publicado na revista Science Advances, destaca o impacto humano em animais que frequentemente são considerados menos “carismáticos” e, portanto, são negligenciados nos estudos científicos, escreveram seus autores.

Corentin Bochaton, do Max Planck Institute for the Science of Human History da Alemanha e do Centre National de la Recherche Scientifique da França, disse que ele e seus colegas estudaram 43.000 restos ósseos de répteis das seis ilhas do arquipélago caribenho.

“O que encontramos é que temos uma biodiversidade maciça em registros antigos, com várias espécies que desconhecíamos que estavam presentes ali no passado, e também várias espécies que nunca tinham sido descritas antes”, afirmou Bochaton, autor principal do estudo, à AFP.

A equipe analisou os restos de 16 táxons ou grupos de animais em 31 locais de Guadalupe, um território francês no Caribe.

Estes foram classificados em quatro períodos: ao final do Pleistoceno tardio (32.000 a 11.650 anos atrás), o Holoceno antes da chegada dos humanos (que começou há 11.650 anos), o período de habitação indígena e o período moderno.

Reconstruir a história evolutiva

Mediante a datação por carbono dos restos e do sedimento circundante, foi possível reconstruir a história evolutiva da região e descobriu-se que a extinção em massa ocorreu apenas nos últimos 500 anos.

As ilhas podem ter sido habitadas pela primeira vez por humanos há 5.000 anos. Colombo chegou ao arquipélago de Guadalupe em 1493, enquanto a colonização francesa começou em 1635 e causou o desaparecimento da população autóctone de Guadalupe em 20 anos.

“Não observamos extinção nas épocas dos indígenas”, disse Bochaton.

O registro fóssil também mostrou que as espécies de répteis conseguiram sobreviver à transição climática da última Idade do Ferro, quando esta região se tornou mais quente e úmida.

Quanto ao que levou à erradicação de algumas espécies, os autores acreditam que gatos, mangustos, guaxinins e inclusive os ratos trazidos pelos colonos foram os principais culpados.

Os répteis menores tiveram menos sorte do que os maiores, o que pode ser indicativo das preferências dos predadores invasores.

Seus dados também revelaram que as espécies que viviam em árvores foram menos afetadas, o que Bochaton disse que pode se dever ao papel da agricultura na destruição dos hábitats dos que viviam no solo.

O cientista afirmou que o trabalho põe em destaque a importância de usar dados fósseis para determinar como os humanos impactam a biodiversidade de uma região.

No caso de Guadalupe, a transformação foi tão rápida e tão violenta que ocorreu antes que os naturalistas contemporâneos tivessem tempo de documentar a fauna.

A pesquisa é divulgada em um momento em que se reconhece cada vez mais que os répteis têm um papel importante a desempenhar nos ecossistemas, da dispersão de sementes e polinização até a engenharia dos ecossistemas.

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