Nyusi apela ao envolvimento da comunidade muçulmana na luta contra o terrorismo - Plataforma Media

Nyusi apela ao envolvimento da comunidade muçulmana na luta contra o terrorismo

No dia que marca o fim do jejum do Ramadão, o Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, exaltou os princípios e valores do Islão e apelou à comunidade muçulmana do país ao engajamento na luta contra a pandemia e terrorismo.

Celebra-se hoje o Eid-Ul-Fitr, que marca o fim do jejum do Ramadão. O momento de celebração foi sublinhado pelo Presidente da República de Moçambique, através de um comunicado enviado ao jornal moçambicano “O País”.

Segundo Filipe Nyusi, o papel ativo da comunidade muçulmana na construção da Nação e na procura constante de condições e bem-estar da sociedade é enaltecido. O Presidente encorajou ainda os muçulmanos a continuarem com a sensibilização, mobilização e participação nas atividades sociais, económicas e culturais em prol da harmonia social, da educação moral e cívica e do desenvolvimento do país.

O apelo segue um dia depois de o Chefe de Estado ter pedido respeito pela dignidade humana aos órgãos de comunicação social na cobertura da violência armada em Cabo Delgado, no norte do país, manifestando preocupação sobre “tendências para o desrespeito”.

“Se é naturalmente compreensível a procura a todo o custo de notícias e imagens sobre a violência terrorista, o jornalista e o órgão de comunicação social devem sentir obrigação moral de reportar respeitando as regras de dignidade humana”, disse Filipe Nyusi.

“A importância do sofrimento humano não pode ser reduzida a meros atos de competição para atrair audiências”, declarou Nyusi, pedindo que os empossados criem debates sobre o assunto, para “resgatar alguns valores que lentamente vão-se perdendo”.

“Sente-se na nossa sociedade uma preocupação sobre tendências para o desrespeito pelos mais elementares princípios éticos e sociais. Vive-se o desrespeito pelos valores da família, dignidade da mulher e da criança pelos órgãos da comunicação social”, apontou.

Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.500 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 714.000 deslocados de acordo com o Governo moçambicano.

Um ataque a Palma, junto ao projeto de gás em construção, em 24 de março, provocou dezenas de mortos e feridos, sem balanço oficial anunciado.

As autoridades moçambicanas anunciaram controlar a vila, mas o ataque levou a petrolífera Total a abandonar o recinto do empreendimento que tinha início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.

De acordo com os dados disponilizados até dia 12 de maio, Moçambique mantém um total acumulado de 826 óbitos e 70.287 casos de covid-19, dos quais 96% recuperados e 25 internados. O país tem 1.410 casos ativos, a maioria dos quais na cidade de Maputo, capital moçambicana.

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