ONG pede investigação à operação policial que fez 25 mortos no Rio de Janeiro - Plataforma Media

ONG pede investigação à operação policial que fez 25 mortos no Rio de Janeiro

Uma organização não-governamental (ONG) pediu na quinta-feira ao Ministério Público que inicie “imediatamente uma investigação minuciosa e independente” à operação policial que fez 25 mortos no estado brasileiro do Rio de Janeiro.

“O Ministério Público tem a competência e obrigação constitucional de exercer o controlo externo sobre a polícia e garantir investigações criminais adequadas de abusos policiais”, indicou a Human Rights Watch (HRW), em comunicado.

A HRW lembrou que em 2020 o Supremo Tribunal Federal (STF) tinha determinado que o MP do Rio de Janeiro devia conduzir as próprias investigações em casos de possível abuso policial.

A ONG de defesa dos direitos humanos salientou que tem conduzido diversas investigações que mostraram “falhas graves” na averiguação de mortes causadas pela polícia no Rio de Janeiro.

Em causa está uma violenta ação policial realizada na manhã de quinta-feira contra um grupo criminoso numa favela do Rio de Janeiro, que fez pelo menos 25 mortos, é já considerada por especialistas a operação autorizada mais letal da história daquela região.

Dados oficiais indicaram que um agente policial morreu com um tiro na cabeça e que 24 suspeitos morreram durante a operação na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, quando este tipo de ações foi restringido pela justiça, devido à pandemia de covid-19.

“O MP deve assegurar que a polícia preserve o local dos factos, que os corpos das vítimas não sejam movidos ou retirados até completar a perícia no local, que toda a evidência seja recolhida com estrito cumprimento da cadeia de custódia e que as armas de suspeitos e da polícia sejam entregues de forma imediata aos peritos para o exame balístico”, defendeu a HRW.

De acordo com a Polícia Civil, no local foram apreendidas dezenas armas de fogo, entre elas, uma arma de guerra.

“Apenas no primeiro trimestre deste ano, a polícia do Rio de Janeiro matou 453 pessoas e, pelo menos, quatro polícias morreram em ações policiais, mesmo com uma decisão do Supremo que proíbe operações em comunidades durante a pandemia, exceto em ‘hipóteses absolutamente excecionais’, acrescentou a ONG.

Por sua vez, o MP do Rio de Janeiro indicou na quinta-feira ter recebido informações “sobre a ocorrência de abusos relacionados com a operação em causa, que serão investigadas”.

“Desde o conhecimento das primeiras notícias sobre a operação que vitimou 24 civis e um polícia civil, o MP vem adotando todas as medidas para a verificação dos fundamentos e circunstâncias que envolvem a operação (…), de modo a permitir a abertura de investigação independente para apuração dos factos, com a adoção das medidas de responsabilização aplicáveis”, disse, citado pelo jornal O Globo.

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