"A discriminação contra os mais velhos na pandemia fez aumentar as mortes" - Plataforma Media

“A discriminação contra os mais velhos na pandemia fez aumentar as mortes”

Fundadora do Oxford Institute of Population Ageing, Sarah Harper fala ao DN sobre as principais mudanças e os desafios de uma sociedade a envelhecer, o que não afeta só os mais velhos. E diz que o preconceito de idade ficou evidente na reação à pandemia.

Sarah Harper é professora de Gerontologia na Universidade de Oxford, em Inglaterra, e uma das vozes mais reconhecidas a nível global sobre as matérias do envelhecimento e alterações demográficas.

Foi uma das convidadas do Fórum do Envelhecimento Saudável, coorganizado pela Universidade de Coimbra e pela Embaixada do Reino Unido em Portugal, e respondeu ao DN, por escrito, a algumas questões, desde o papel das migrações às alterações trazidas pela tecnologia ou o impacto esperado no mercado de trabalho. A britânica sublinha a necessidade de repensar os sistemas de segurança social e defende que a pandemia deixou evidente a discriminação contra os mais velhos.

Sarah Harper

Começo por recuperar o título de um dos seus livros: Como as Alterações Demográficas Vão Transformar o Mundo. Que principais mudanças prevê numa sociedade a envelhecer?

Uma questão-chave é se devemos esperar que haja uma convergência entre a evolução demográfica e a evolução socioeconómica dos países e qual o papel que a migração deve desempenhar neste processo. À medida que caem as restrições ao movimento de pessoas e de capital financeiro em todo o mundo, a mudança demográfica torna-se uma força potente para mudanças na economia global. Mas exatamente como essas mudanças acontecerão é algo de que se conhece ainda pouco. Grandes alterações na distribuição etária das populações podem afetar os padrões de poupança de cada país e os fluxos de capital internacional, especialmente entre os mundos mais e menos desenvolvidos. A procura por profissionais de saúde e assistência social em países mais desenvolvidos já tem vindo a aumentar e deve aumentar ainda mais, ao mesmo tempo que a oferta de trabalhadores jovens ficará mais restrita. As implicações para os sistemas de segurança social dos países “exportadores” e “importadores” de mão-de-obra são consideráveis.

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