"Governo deve ponderar adiamento da próxima fase de desconfinamento" - Plataforma Media

“Governo deve ponderar adiamento da próxima fase de desconfinamento”

O R(t) continua a subir. Não é o valor que é preocupante, mas o ritmo da evolução. Se não se tomarem medidas, a tendência é para piorar. E os dados atuais “ainda não refletem reabertura das esplanadas”, alerta Carlos Antunes. Governo e especialistas reúnem-se esta terça-feira no Infarmed.

O R(t) – valor de transmissibilidade da covid-19 – continua a aumentar a um ritmo “significativo e preocupante”, defende ao DN Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências (FCL) da Universidade de Lisboa. “Não é o valor em si que é preocupante, mas o ritmo da sua evolução”, explicou, sustentando que “o R(t) está a subir desde meados de fevereiro e sempre ao mesmo ritmo, uma centésima por dia, e nós estamos a potenciar ainda mais essa subida com o desconfinamento. Portanto, quem vai ter de decidir nos próximos dias, já deveria estar preocupado, embora não estejamos com 3 mil ou 6 mil casos, nem com 500 camas cheias nas unidades de cuidados intensivos”, argumenta o professor do Departamento de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia da FCL, que desde o início da pandemia integra uma equipa que tem vindo a fazer a modelação da evolução da doença.

“As cautelas têm de ser tomadas agora e quem decide tem de pensar no que vai fazer, porque no dia 19, data para a terceira fase de desconfinamento, o R(t) já deve estar em 1.18”. Ou seja, se não forem tomadas medidas a tempo, num “ápice a multiplicação de casos que agora, de acordo com o nosso método, está a 21 dias passará para os 14 dias. E isto, sim, é preocupante”. Até porque não se perspetiva uma retração na mobilidade da sociedade, e “a tendência é para piorar”.

O alerta é deixado aos políticos e aos especialistas que hoje voltam a reunir-se no Infarmed para analisar a evolução da doença no país, tendo por base os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

De acordo com o boletim diário da DGS desta segunda-feira, nas últimas 24 horas tinham sido registados 271 casos, dois óbitos e 25 mil casos ativos. Há um mês, precisamente no dia 13 março, dois dias antes de se iniciar o desconfinamento, havia 564 casos, 19 mortos e 40 788 casos ativos. A maior diferença nos dados está nos internamentos. Ontem, havia 479 pessoas internadas, 119 das quais em cuidados intensivos e a 13 de março o número total era de 980 internamentos, 253 em intensivos. Quanto à incidência da doença, estava em cerca de 60 casos por 100 mil habitantes e o R(t) abaixo de 1. Agora, está em 70,0 por 100 mil e o R(t) em 1,04.

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