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A América está de volta

A União Europeia está longe de ter uma política autónoma de Segurança e Defesa, apesar de vários avanços, nomeadamente ao nível das cooperações estruturadas.

Assim, pode dizer-se que o braço armado do bloco europeu ainda é a NATO, daí a necessidade da troca de pontos de vista regulares entre o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, e o alto representante Josep Borrell sobre os trabalhos em curso relativos às respetivas orientações estratégicas.

O Alto Representante conhece a importância de debater a segurança e a defesa, sendo que a NATO desempenhou, e desempenha, um papel fundamental na ligação entre a América do Norte e a Europa onde os mesmos valores democráticos são partilhados e os interesses estratégicos são comuns.

E a nova administração de Joe Biden oferece uma oportunidade única para renovar a forte aliança transatlântica entre a Europa e os Estados Unidos.

Tudo porque a União deseja e quer mais estabilidade e mais previsibilidade na vizinhança imediata e porque enfrentamos novos tipos de ameaças – ciberameaças, ameaças híbridas e desinformação. Temos, assim, de reforçar a nossa resiliência e adaptar os nossos instrumentos, reforçando a base industrial e melhorando a base tecnológica existentes, sendo que existem possíveis sinergias entre as indústrias digital, do espaço e da defesa.

Parcerias fortes exigem parceiros fortes. E é por esta razão que uma União Europeia mais forte é uma OTAN mais forte.

O presidente Joe Biden declarou recentemente: “A América está de volta.”

Esta perspetiva de colaborar, de novo, com a nova administração dos Estados Unidos numa agenda transatlântica vigorosa e que inclua um diálogo estreito sobre segurança e defesa, é um cenário que a União tem o maior interesse em desenvolver.

Neste contexto, a Europa, está preparada para fazer o que lhe toca e para ser um parceiro robusto e fiável, não só dos EUA, mas de todos os seus pares, como as Nações Unidas e os parceiros regionais.

É preciso, por isso, aumentar o investimento no setor da defesa e reforçar as capacidades civis e militares e a prontidão operacional, aprofundando, concomitantemente, a cooperação em matéria de segurança e defesa entre os Estados-Membros.

Sabemos que neste momento a prioridade é o combate à pandemia, mas é bom não descurar as ameaças bélicas clássicas, preparando a guerra para manter a paz.

*Vice-Presidente do PSD.

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