Japão expressa preocupação com Direitos Humanos e intrusões navais da China

Japão expressa preocupação com Direitos Humanos e intrusões navais da China

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão expressou hoje ao seu homólogo chinês preocupação com os Direitos Humanos na China, particularmente da minoria uigur e em Hong Kong, e ainda com intrusões navais chinesas nas suas águas.

Segundo comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês, o ministro Toshimitsu Motegi manteve hoje uma conversa de cerca de 90 minutos com o seu homólogo Wang Yi, a primeira entre ambos desde novembro do ano passado. 

Motegi manifestou “forte preocupação” com a aplicação pela China de uma nova lei de segurança marítima que permite à guarda costeira chinesa alvejar navios estrangeiros em águas que considera seu território, caso das ilhas Senkaku, controladas pelo Japão, mas disputadas pelo país-vizinho.

O chefe da diplomacia japonesa levantou também a questão dos Direitos Humanos na China, nomeadamente a situação da minoria uigur muçulmana em Xinjiang – que os Estados Unidos dizem estar a ser alvo de “genocídio” – e as restrições aplicadas pela China à população em Hong Kong.

Wang disse que se opõe à interferência do Japão nos assuntos internos da China, como Xinjiang e Hong Kong, segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês, citado pela agência Kyodo.

Motegi e Wang concordaram com a coordenação internacional para lidar com o golpe em Myanmar e a repressão militar contra os manifestantes no país do sudeste asiático, e ainda com a necessidade de promover a desnuclearização da Coreia do Norte.

O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, tem agendada para 16 de abril uma visita a Washington para encontro com o presidente norte-americano, Joe Biden.

Numa reunião de ministros das Relações Exteriores e da Defesa do Japão e dos Estados Unidos em Tóquio no mês passado, os dois aliados condenaram a China por incursões repetitivas nas águas ao redor das Senkakus.

China e Estados Unidos têm estado a deslocar meios navais de guerra para águas disputadas nos mares do Leste e do Sul da China. 

As Filipinas, no Mar do Sul da China, tornaram-se nas últimas semanas num dos principais pontos de tensão na região, com o país a exigir a retirada de cerca de 44 navios pesqueiros e outros ativos marítimos da área do Recife Whitsun (Recife Julian Felipe, para os filipinos), onde chegaram a estar perto de duas centenas de embarcações chinesas.

“Julian Felipe faz parte das ilhas do grupo Kalayaane e está localizado na Zona Económica Exclusiva da República das Filipinas”, disse o departamento de Relações Exteriores filipino, apontando ainda para uma decisão da Convenção das Nações Unidas para o Direito dos Mares, que em 2016 invalidou pretensões chinesas de soberania sobre grande parte do Mar do Sul da China.

Inicialmente, a China disse que a agitação marítima fez com que os navios, que diz serem barcos de pesca, ficassem atracados nas proximidades do recife, que insiste fazer parte das ilhas Spratly, e cuja soberania reivindica.

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