Júlio de Matos teve de reorganizar-se para responder à pandemia - Plataforma Media

Júlio de Matos teve de reorganizar-se para responder à pandemia

O Hospital Júlio de Matos teve de fazer uma “reorganização interna muito grande” para responder à pandemia, nomeadamente a criação de um pavilhão onde os doentes ficam cinco dias internados em isolamento antes de serem transferidos para a enfermaria.

“Sobre a incerteza do que aí vinha tivemos que preparar muito rapidamente o hospital para responder a esta situação”, disse a médica psiquiatra Joana Teixeira em entrevista à agência Lusa, a propósito do aparecimento dos primeiros casos de covid-19 em Portugal, no dia 02 de março de 2020.

A primeira medida foi criar “um serviço tampão” por onde passam todos os doentes antes de serem internados em enfermaria com outros doentes. É um serviço onde ficam cinco dias em isolamento para termos a certeza de que não estão infetados com covid-19, disse a psiquiatra do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL).

Segundo Joana Teixeira, houve cinco doentes que testaram positivo que se tivessem ido para uma enfermaria geral teria sido “muito complicado”.

“Isto é uma novidade, a maior parte dos serviços de psiquiatria não consegue ter esta capacidade de resposta”, disse, salientando que, “graças a este tipo de organização”, o hospital não teve surtos nos serviços de internamento de agudos.

“Isto é claramente de louvar porque a maior parte dos serviços de psiquiatria geral não conseguiu dar uma resposta deste género” e o Júlio de Matos teve que dar muitas vezes retaguarda e resposta a doentes de serviços que estavam fechados ou impossibilitados de receber doentes devido a surtos, salientou.

Em termos de consultas, no hospital passou “quase tudo para teleconsultas” para evitar a deslocação das pessoas ao centro hospitalar, mas manteve sempre a prática clínica.

A “dificuldade maior” terá sido dar resposta aos novos pedidos porque “é mais complicado” observar um novo doente por teleconsulta”, o que levou muitas vezes à realização de consultas presenciais.

A especialista afirmou que provavelmente, devido ao confinamento, as situações de ‘stress’ vão desencadear “um aumento do aparecimento de patologia mental”.

“Não propriamente por ser uma crise pandémica, mas porque as situações de ‘stress’ favorecem o aparecimento e a manifestação de patologias para as quais a pessoa já tinha predisposição genética”, disse, explicando que qualquer doença mental resulta de uma combinação entre predisposição genética e fatores ambientais.

“Se aos fatores ambientais juntarmos agora este fator de ‘stress’ que já dura há um ano é muito provável que possamos realmente assistir a uma maior manifestação desses sintomas e dessas patologias mais predispostos geneticamente para isso”, sustentou.

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