Covid-19: PM timorense admite bloqueio total se houver transmissão comunitária - Plataforma Media

Covid-19: PM timorense admite bloqueio total se houver transmissão comunitária

O primeiro-ministro timorense disse hoje que o país adotará medidas mais duras, incluindo confinamento total, caso venha a confirmar-se qualquer situação de transmissão comunitária de covid-19 em Timor-Leste.

“Caso se confirmem novos casos positivos, estaremos perante a primeira transmissão comunitária e teremos de manter as medidas de restrição por mais tempo e estarmos preparados para tomarmos medidas mais rigorosas de ‘lockdown’, ou seja, o eventual bloqueio total de circulação e de atividades”, afirmou Taur Matan Ruak.

“Tal como tem acontecido, o Governo procura ajustar as medidas do estado de emergência ao nível de risco de propagação da covid-19, para que não soframos com nenhuma medida injustificada”, sublinhou.

Taur Matan Ruak falava no parlamento nacional no 11º debate sobre aplicação do estado de emergência em Timor-Leste devido à covid-19, praticamente um ano depois da deteção do primeiro caso no país e da aplicação do primeiro estado de exceção.

O chefe do Governo recordou que há já dois focos de transmissão local em duas aldeias da zona da fronteira, no município de Covalima, e que as equipas no terreno continuam a realizar testes em várias localidades.

Nesse sentido, disse, caso se detete transmissão comunitária – a de maior risco para o país – o Governo tomará medidas mais duras, incluindo um eventual confinamento, procurando sempre ajustar as medidas ao risco em cada momento.

No seu discurso, Taur Matan Ruak pediu hoje ao parlamento para que autorize a renovação do estado de emergência devido à covid-19, pela 11ª vez, considerando as restrições um instrumento “fundamental e insubstituível” para prevenir e combater a doença.

“Neste momento, a nossa única arma de defesa e proteção é não deixar propagar no nosso território nacional este inimigo invisível, que é a covid-19, através de medidas de controle de entrada de pessoas e da imposição de limitações aos direitos dos cidadãos, por via do estado de emergência”, afirmou Taur Matan Ruak hoje no Parlamento Nacional.

“Neste sentido, gostaria de apelar a vossas excelências, ilustres deputadas e deputados, para que se dignem renovar a confiança e o apoio manifestados ao Governo nestes últimos meses, autorizando a renovação pela 11ª. vez da Declaração do Estado de Emergência, instrumento fundamental e insubstituível que nos permita prevenir e combater esta doença potencialmente mortal”, considerou.

O chefe do Governo disse que as autoridades têm vindo a adotar medidas “rigorosas” de controlo sanitário, incluindo nas entradas de pessoas no país, quarentena obrigatória e testes e isolamento de casos positivos detetados.

O primeiro-ministro deu conta de alguns dos passos que têm sido dados em termos do fortalecimento das capacidades dos serviços de saúde, nomeadamente para lidar com a covid-19.

Atualmente, disse, o país tem já 728 quartos para quarentena, em vários pontos do país, com 250 camas para isolamento de casos ligeiros e 25 camas para casos graves ou cuidados intensivos, nomeadamente depois da reabilitação do antigo Hospital Dr. António de Carvalho, em Díli.

Em termos de testes, e além do Laboratório Nacional em Díli, há já locais de testagem nas três regiões fronteiriças, os municípios de Covalima e Bobonaro, atualmente sob cerca sanitária, e na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA).

“Apesar destes progressos, continuamos com capacidade muito limitada, em termos de recursos humanos e materiais para respondermos a esta doença, no caso de haver um aumento de transmissão comunitária desta epidemia no nosso país”, afirmou.

A maior preocupação, reiterou, continua a ser nas zonas fronteiriças com a Indonésia, onde houve um aumento significativo de casos e onde tiveram origem a quase totalidade dos casos positivos detetados este ano em Timor-Leste.

Um risco, disse, que se confirmou em fevereiro com a entrada irregular de cidadãos confirmados infetados, o que obrigou a um amplo rastreio a dezenas de pessoas e à aplicação da cerca sanitária em Bobonaro e Covalima.

A realização de testes em massa e de uma vigilância epidemiológica mais apertada nos dois locais levou à deteção de dois focos de transmissão local, em duas aldeias de dois postos administrativos diferentes de Covalima.

Taur Matan Ruak disse que o Governo deposita agora a sua esperança no processo de vacinação, acreditando que “dentro de um ou dois meses” possa começar a “distribuição faseada de vacinas para a imunização da nossa população”.

“Vamos começar com quem mais precisa, nomeadamente os profissionais de saúde e forças de segurança e defesa, na linha da frente do combate à doença. E continuamos comprometidos em imunizar 80% (oitenta por cento) da nossa população até ao final do corrente ano”, afirmou.

Timor-Leste tem atualmente 23 casos ativos e acumula 113 desde o inicio da pandemia, não tendo havido a registar qualquer caso grave ou morte.

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