O separatismo vai continuar no poder na Catalunha - Plataforma Media

O separatismo vai continuar no poder na Catalunha

Com mais de 50% dos votos, o movimento de independência catalão saiu reforçado das eleições regionais de domingo e deve manter o poder, neutralizando a vitória mínima dos socialistas do presidente espanhol Pedro Sánchez

A aposta de Sánchez em Salvador Illa, o seu ministro da Saúde que controlou a pandemia, foi insuficiente: venceu as eleições, mas sem hipóteses de governar a rica região da Catalunha, com 7,8 milhões de habitantes.

“Se esperavam tirar os separatistas do poder, não interpretaram bem o cenário. Era uma meta irreal”, comentou a cientista política Berta Barbet, da Universidade Autónoma de Barcelona. 

Tão irrealista que, apesar do peso das profundas diferenças que surgiram após a tentativa fracassada de secessão em 2017, os separatistas fortaleceram a sua maioria parlamentar, passando de 70 para 74 deputados de um total de 135 no parlamento regional.

E, com uma abstenção recorde que penalizou especialmente os não-independentistas, superaram pela primeira vez os 50% dos votos numa votação regional.

À frente do movimento ficou a formação Esquerda Republicana (ERC), representante do movimento de independência mais moderado e aliada de Sánchez em Madrid, que destronou os seus parceiros de coligação Juntos pela Catalunha (JxC) do ex-presidente regional Carles Puigdemont, partidários da manutenção do confronto. 

O seu candidato Pere Aragonés parece ser o mais bem posicionado para presidir à região graças aos seus 33 lugares, 32 do JxC e 9 da esquerda radical CUP. 

A aritmética também permitiria uma coligação de esquerda com ERC, os socialistas e seu parceiro minoritário em Madrid, o Podemos, mas os dois primeiros descartaram essa possibilidade.

“O cenário mais plausível é a repetição da coligação ERC-JxC, com ERC a liderar”, diz Berta Barbet.

“O resumo é que a vida continua igual, mas com pequenas nuances”, afirmou Ernesto Pascual, doutor em política pela Universidade Aberta da Catalunha (UOC). 

Os socialistas continuam a liderar o bloco contra a secessão em detrimento do centrista Cidadãos, vencedor das eleições anteriores e contrários à estratégia apaziguadora de Sánchez na Catalunha.

No banco separatista, o ERC prepara-se para presidir o governo regional depois de superar o partido de Puigdemont, apesar de ter abandonado a estratégia de ruptura unilateral e promovido o diálogo com Madrid.

“Vamos começar as discussões hoje”, disse Pere Aragonés, que terá de superar as fortes desavenças com os seus parceiros, que são a favor da manutenção do confronto com Madrid.

Porém, mesmo que não tenha conseguido destronar os independentistas do poder regional, “para o governo espanhol, as notícias são boas”, disse o analista Josep Ramoneda. 

Em Barcelona, terá um interlocutor mais fluido. E, em Madrid, os resultados na Catalunha “legitimam a política do governo” e “colocam os seus rivais da numa situação de crise” após serem claramente superados pela extrema direita do Vox, explicou.

Isso dará a Sánchez margem para abordar a questão catalã com gestos polémicos, como a concessão de perdões aos nove líderes separatistas condenados a entre 9 e 13 anos de prisão pela tentativa de secessão de 2017. 

Todos estão em semiliberdade há duas semanas, regime contra o qual a Procuradoria interpôs recurso esta segunda-feira. 

Mas apesar da vontade de dialogar de ambos os lados, as posições permanecem distantes e de difícil encaixe. Aragonés já exigiu um referendo de autodeterminação que os socialistas rejeitam.

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