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As mesmas medidas, pesos diferentes

No já longínquo 2 de março de 2020 as autoridades de Macau emitiram um comunicado com declarações do diretor dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, no qual se enumeravam as condições impostas aos residentes que se preparavam para regressar ao território através de um voo de “repatriamento” com origem em Wuhan. Essas condições são em tudo semelhantes àquelas agora estabelecidas para um voo previsto para amanhã (quinta-feira) que partirá de Tóquio com destino a Macau com mais de uma centena de residentes a bordo, muitos dos quais oriundos de Portugal e do Reino Unido, países onde o foco da Covid-19 está particularmente ativo.

No sexto parágrafo daquele comunicado emitido em março podia então ler-se: “No avião, todos os funcionários e residentes de Macau devem usar um conjunto completo de equipamentos de protecção a bordo. Após o embarque, os residentes de Macau não podem andar no avião, nem usar a casa de banho (são fornecidas fraldas), nem comer e beber e devem usar máscara durante toda a viagem”.

Na conferência de imprensa da passada segunda-feira do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, Alvis Lo Iek Long, médico da direção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, detalhou que, antes da partida da próxima quinta-feira, os passageiros terão de ser portadores de um teste negativo de ácido nucleico.

Adiantou que, ainda na capital japonesa, será distribuído equipamento de proteção aos passageiros do voo para Macau, designadamente máscaras, óculos de proteção e luvas descartáveis. Estas proteções têm de ser obrigatoriamente utilizadas no voo. Os passageiros foram também aconselhados a não usar a casa de banho (no voo de Wuhan foram proibidos!). Além disso, e mais uma vez, as autoridades de Macau facultam fraldas a quem as quiser usar.

Por isso estranha-se o espantado, à mistura com celeuma e até indignação, junto de algumas vozes da comunidade portuguesa acerca das condições agora impostas pelas autoridades locais para mais um voo de “repatriamento” com “origem em zonas de risco”. Não que os cidadãos não tenham direito a indignação e até ao sobressalto. Estranhamente, a indignação parece estar associada a um carater convenientemente seletivo… em função da origem dos voos.

*Editor-executivo do Plataforma

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