Tensões no Golfo Pérsico em crescendo desde 2019 - Plataforma Media

Tensões no Golfo Pérsico em crescendo desde 2019

A situação na região do Golfo Pérsico registou desde 2019 diversos momentos de fortes tensões entre os EUA e o Irão, que culminaram com a acusação de Washington sobre as “ligações” de Teerão à rede ‘jihadista’ da Al-Qaida.

Em 2015, durante a Presidência de Barack Obama, o Irão assinou em Viena o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China) e a Alemanha, que previa o levantamento de sanções internacionais à República Islâmica em troca de restrições ao seu programa nuclear.

Em 2018, a administração do Presidente cessante dos EUA, Donald Trump, retirou-se unilateralmente do acordo e reimpôs pesadas sanções económicas a Teerão. Em resposta, o Irão manifestou em 2019 a intenção em ultrapassar as restrições ao seu programa nuclear, com o objetivo de pressionar os restantes signatários do acordo a compensarem as perdas económicas resultantes da decisão de Washington

A denúncia do acordo de Viena sobre o programa nuclear do Irão terá sido apoiada por uma maioria da designada opinião pública nos EUA. O próprio New York Times, jornal de referência de elites intelectuais hostis a Trump, aprovou essa medida, justificada na ocasião pelo editorialista do diário Bret Stephens, que se referiu a uma “decisão corajosa”.

Desde então, as tensões entre os dois países não cessaram de se agravar. No início de maio de 2019, o Pentágono anunciou o envio para o Médio Oriente de um navio de guerra com veículos, designadamente anfíbios, e uma bateria de mísseis Patriot, para além da presença de um porta-aviões, justificados pela ameaça de ataques “iminentes” atribuídos ao Irão.

No mesmo mês, quatro navios, incluindo três petroleiros, são alvo de “atos de sabotagem” no Golfo Pérsico, em águas territoriais dos Emirados Árabes Unidos, mas o Irão desmente o seu envolvimento após as acusações dos EUA e Arábia Saudita.

Outros dois petroleiros serão atacados em junho, e quando os Guardas da Revolução, força de elite do regime de Teerão, anunciam o abate de um ‘drone’ [aparelho aéreo não-tripulado] norte-americano que “violou o espaço aéreo iraniano”.

Trump afirma ter anulado uma ordem de ataques contra o Irão “no último minuto”, e em julho reivindica a destruição de um ‘drone’ iraniano por um navio norte-americano. Os desmentidos sucedem-se de parte a parte, num ano em que os Guardas da Revolução apresam pelo menos sete navios.

Ainda em 2019, ataques reivindicados pelos rebeldes Huthis do Iémen provocam em setembro incêndios em duas instalações do gigante petrolífero Aramco, no leste da Arábia Saudita. Riade e Washington acusam o Irão, que nega qualquer envolvimento.

O ano de 2020 inicia-se com o assassínio, em 03 de janeiro em Bagdad, do general Qassem Soleimani, arquiteto da estratégia da República Islâmica no Irão no Médio Oriente. O ataque de ‘drone’, ordenado por Donald Trump, vítima um total de dez pessoas, incluindo Abu Mahdi al-Muhandis, líder das milícias Forças de Mobilização Popular.

Cinco dias depois, o Irão retalia e ataca com mísseis bases no Iraque onde estavam estacionados soldados norte-americanos. Algumas horas mais tarde, militares iranianos abatem “por erro” um avião civil ucraniano após a sua descolagem de Teerão, provocando a morte dos 176 passageiros e tripulantes.

Tem início uma nova escalda. Em abril o Pentágono denuncia manobras “perigosas” em embarcações dos Guardas da Revolução na proximidade de navios de guerra dos EUA no Golfo. E no final desse mês, o Irão anuncia o lançamento do seu primeiro satélite militar.

Em 27 de novembro, o físico nuclear iraniano Moshen Fakhrizadeh é morto num sofisticado ataque contra a sua coluna de veículos perto de Teerão. O Irão acusa Israel, que não reage, enquanto o Governo de Benjamin Netanyahu intensifica os ataques na vizinha síria contra as milícias pró-iranianas e do Hezbollah libanês que apoiam o regime de Damasco.

A apreensão de um petroleiro de pavilhão sul-coreano pelos Guardas da Revolução, e que segundo Teerão transgredia as “leis sobre o ambiente marítimo”, marca o início de 2021. A Coreia do Sul exige a libertação do navio e anuncia o envio próximo de uma delegação ao Irão “para tentar resolver o problema”.

No mesmo dia, em 04 de janeiro, o Irão inicia o processo destinado a produzir urânio enriquecido a 20% nas instalações subterrâneas de Fordo, a sua principal medida de incumprimento do acordo nuclear. Em paralelo, os Estados Unidos decidem que o porta-aviões USS Nimitz deverá permanecer nas águas do Golfo Pérsico.

Na fase final da administração Trump, o secretário de Estado Mike Pompeo afirma que o Irão alberga atualmente bases da rede ‘jihadista’ da Al-Qaida, e inclui os rebeldes Huthis do Iémen na lista negra de “organizações terroristas”, após ter promovido a aproximação de vários Estados árabes da região a Israel (para além de Marrocos e do Sudão), e que rivalizam com o Irão.

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