Centros de saúde em Portugal não travaram transmissão por falta de meios - Plataforma Media

Centros de saúde em Portugal não travaram transmissão por falta de meios

Ex-presidente da Associação de Medicina Familiar diz que resposta nesta área não conseguiu travar cadeias de transmissão, “o reforço de recursos não chegou”. Agora, “é proteger os idosos e tentar evitar mais mortes”.

Na primeira vaga da pandemia, Portugal assistiu ao que se passava nos países vizinhos e reagiu – foi até elogiado internacionalmente pela resposta dada. Na segunda vaga, já não foi assim, e na terceira também não será. “Não se pode querer responder à pandemia com as mesmas soluções, quer tenhamos dois mil casos diários ou dez mil.

Quem o defende é o médico de família Rui Nogueira, presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar até há sete dias, e que desde o início da doença tem sido um dos rostos na defesa das condições de trabalho e do reforço dos recursos humanos e técnicos nos cuidados primários. E, hoje, dez meses depois de a covid-19 ter chegado a Portugal, Rui Nogueira diz acreditar que a falta de recursos não permitiu dar uma resposta mais eficaz e capaz de “travar todas as cadeias de transmissão”. Isto “apesar de todo o esforço dos profissionais”.

Por isso, e perante os dez mil casos de covid-19 registados pela primeira vez nesta quarta-feira e os 9927 de ontem, Rui Nogueira considera que só há uma solução: “Não é um novo confinamento geral, porque esta já não é solução, a ser teria de ter sido decretado logo em outubro quando houve sinais de que a curva daí para a frente seria sempre ascendente. Agora, a solução tem de passar por medidas muito concretas que devem ser tomadas nas próximas horas e nos próximos dias junto da comunidade.” Medidas que o médico diz que não são de restrição, mas de proteção e de apoio social junto dos mais idosos e dos mais vulneráveis. “Chegámos ao inverno e o frio é um inimigo tão forte ou maior do que o próprio vírus, e é preciso proteger os idosos e as classes mais desfavorecidas para se evitar um agravamento do número de mortes”, defende o médico.

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