Hong Kong: Futuro chefe da diplomacia dos EUA condena detenções - Plataforma Media

Hong Kong: Futuro chefe da diplomacia dos EUA condena detenções

O futuro chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, defendeu que as detenções efetuadas hoje de cerca de 50 figuras pró-democracia em Hong Kong representam um “ataque” aos “direitos universais”.

“As detenções em massa de manifestantes pró-democracia são um ataque aos que defendem corajosamente os direitos universais”, escreveu Blinken na conta na rede social Twitter.

A futura “administração vai estar ao lado do povo de Hong Kong e contra a repressão da democracia em Pequim”, acrescentou aquele que foi escolhido pelo Presidente eleito, Joe Biden, para ser o próximo secretário de Estado.

A polícia de Hong Kong deteve cerca de 50 ativistas e políticos da oposição pela alegada violação da controversa Lei de Segurança Nacional, com a agência de notícias France-Presse (AFP) a avançar que entre os detidos estará um advogado norte-americano que trabalha num escritório que lida com matérias associadas aos direitos humanos.

Muitos dos opositores, incluindo vários ex-deputados, foram detidos pela participação em julho nas ‘primárias’ do campo pró-democracia, antes das eleições legislativas de setembro.

As legislativas foram posteriormente adiadas devido à pandemia do novo coronavírus, justificaram então as autoridades locais.

O diário de Hong Kong South China Morning Post (SCMP) noticiou que a maioria dos detidos tinha organizado ou participado nas ‘primárias’ promovidas pelo campo pró-democracia, como parte de uma estratégia para obter “mais de 35” deputados no Conselho Legislativo, de forma a assumir o controlo da legislatura que integra 70 membros.

A legislação imposta no território em 30 de junho por Pequim prevê a prisão perpétua (o que não sucede em Macau, a outra região administrativa especial chinesa) e a punição para quatro tipos de crimes: atividades subversivas, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras que ponham em risco a segurança nacional.

Tal como acontece com Macau desde 1999, para Hong Kong foi acordado a partir de 1997 um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judicial, com o governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa, ao abrigo do princípio “um país, dois sistemas”.

O Governo chinês criou o Gabinete de Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong, oito dias após a entrada em vigor da nova legislação e a polícia passou também a ter poderes reforçados, para garantir o cumprimento da lei, criticada pela comunidade internacional, advogados, ativistas e jornalistas.

O documento surgiu após repetidas advertências do poder comunista chinês contra a dissidência em Hong Kong, abalada em 2019 por sete meses de manifestações em defesa de reformas democráticas e quase sempre marcadas por confrontos com a polícia, que levaram à detenção de mais de nove mil pessoas.

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