Mulheres detidas em prisão migratória dos EUA denunciam ginecologista por abusos - Plataforma Media

Mulheres detidas em prisão migratória dos EUA denunciam ginecologista por abusos

Um grupo de 14 mulheres detidas numa prisão migratória no sul dos Estados Unidos que foram submetidas a procedimentos ginecológicos não consentidos e invasivos, inclusive operações, denunciaram o médico que as atendeu numa ação coletiva.

“Os advogados que representam as mulheres que sofreram abusos médicos no Centro de Detenção do Condado de Irwin entraram com uma ação coletiva e uma queixa em nome de 14 mulheres”, informou nesta terça-feira (22) a advogada Sirine Shebaya.

Em meados de setembro, várias organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram que no centro de detenção migratória de Irwin, na Geórgia, que tem gestão privada, havia uma taxa elevada de histerectomias e extrações de útero.

Segundo as informações, este centro enviou muitas mulheres a visitar um ginecologista particular fora do centro de detenção e algumas migrantes expressaram que desconfiavam do médico.

A denúncia surgiu do testemunho de uma enfermeira que trabalhou no centro e relatou a alta “taxa de extrações do útero” das detidas e episódios como o de uma migrante de quem o médico removeu o ovário errado quando a submeteu à cirurgia para retirada de um cisto.

“Todas elas foram submetidas ou ordenadas a que fossem submetidas a procedimentos ginecológicos não consentidos, que não eram indicados do ponto de vista médico e que são invasivos e foram realizados por Mahendra Amin”, denunciaram os advogados numa ação apresentada na noite de segunda-feira na Geórgia.

Segundo a ação, “em muitos casos, os procedimentos ginecológicos executados pelo acusado equivalem a atos de agressão sexual”.

Várias migrantes afirmaram terem sido vítimas durante a sua vida de abusos sexuais e destacaram que os exames com o médico acusado as lembravam dos seus traumas.

Uma delas descreveu o processo como “a forma mais medicalizada na qual se pode experimentar o estupro”.

Acordou sem umbigo

Uma das migrantes contou na ação que foi operada de um cisto e que foi obrigada a assinar um consentimento sem lê-lo. Quando acordou, não tinha mais umbigo e tinha uma fissura no abdómen.

A maioria das demandantes continua presa no centro de detenção migratória, algumas foram libertadas e uma foi deportada para o México depois de denunciar a situação.

Esta mulher de 28 anos escapou de ser submetida a uma histerectomia não consentida porque contraiu a covid-19 e não pôde ser operada.

Várias supostas vítimas – que não fazem parte do processo judicial e cujos testemunhos não puderam ser corroborados – foram devolvidas aos respectivos países após denunciar os abusos médicos, segundo os advogados.

Os denunciantes destacaram que quando as mulheres tentaram denunciar os fatos, as autoridades do centro de detenção iniciaram medidas “retaliatórias” para silenciá-las, incluindo o confinamento em solitária e várias ameaças. Uma delas teve negado acesso ao telefone, o que a levou a perder a guarda de sua filha.

As denunciantes informaram que as autoridades do centro de detenção sabem desde 2018 dos abusos cometidos por Amin, mas mantiveram a política de enviar as mulheres à sua consulta privada, fora da prisão.

A presidente da Câmara baixa dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, pediu em setembro para investigar as denúncias e várias comissões legislativas indagaram sobre o centro.

A CIDH também expressou a sua condenação diante das denúncias, afirmando que “estes procedimentos não consensuais constituem uma violação do direito à segurança da pessoa, à proteção contra ataques abusivos à vida privada e familiar”.

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