Países do Mercosul defendem acordos com UE e outros países mas divergem sobre prazos - Plataforma Media

Países do Mercosul defendem acordos com UE e outros países mas divergem sobre prazos

Os países do Mercosul declararam hoje “máxima vontade de assinarem o acordo com a União Europeia” e de fecharem negociações com outros países e blocos, mas divergiram sobre quando e como, refletindo a tensão interna com a Argentina.

A Declaração Final da Cimeira do Mercosul, realizada de forma virtual, na qual o Uruguai transferiu a Presidência semestral do bloco à Argentina, ressalta a sua “máxima vontade de assinar o acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia”.

“E insta os sócios a superarem os desafios que impediram a finalização de um processo de mais de 20 anos de esforço conjunto por um acordo amplo, equilibrado e ambicioso”, diz a Declaração da Cimeira do Mercosul.

No ano passado, o Mercosul fechou acordos de comércio livre com a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, nas siglas em inglês). A Argentina, que assume agora a condução do Mercosul, prefere adiar ao máximo o processo de implementação do acordo com a União Europeia para ganhar tempo. Os demais sócios, Brasil, Paraguai e Uruguai, pelo contrário, querem acelerá-lo.

Uma das saídas para a divergência pode estar na solução encontrada para outras negociações na qual a Argentina também não tem interesse em apressar os tempos. Nas negociações com a Coreia do Sul e com Israel, foi adotada a estratégia da chamada “duas velocidades” na qual Brasil, Uruguai e Paraguai avançam a toda velocidade enquanto a Argentina vem atrás.

“Os países adotaram a flexibilidade como critério utilizado para a continuidade da negociação com a Coreia e para a modalidade de aprofundamento bilateral do Tratado de Comércio Livre com Israel, ressaltando a visão pragmática em benefício do avanço dessas negociações comerciais”, destaca o texto da Declaração.

“O bloco está a avançar, mas cada país está a atuar na sua velocidade, em ritmos diferentes”, indicou o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou.

O Mercosul está em negociações por acordos de livre comércio com países da América Central, Coreia do Sul, Canadá, Singapura, Israel e Líbano. As únicas negociações com as quais a Argentina totalmente de acordo são com América Central, Canadá e Bolívia. O Brasil, por sua vez, quer abrir negociações com a Indonésia e com o Vietname.

De perfil protecionista, o Presidente argentino, Alberto Fernández, destoa dos demais membros do Mercosul, todos favoráveis ao comércio livre e à aceleração das negociações.

“Devemos abrir-nos mais ao mercado internacional, mas preservando as nossas economias. A negociação e a assinatura de acordos comerciais sem atender determinadas condições representa um risco”, advertiu o presidente argentino.

“Vemos que existem negociações que devem ser analisadas cuidadosamente para determinar a sua verdadeira valia. A Argentina tem expectativas que certos acordos possam ser fechados”, diferenciou-se Alberto Fernández dos demais membros do bloco que querem todos e não apenas certos acordos.

No outro extremo da visão comercial, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ressaltou que “a flexibilidade e o pragmatismo” permitiram que “os pontos de convergência prevalecessem sobre as divergências”.

Para não ficar como uma ilha protecionista de esquerda entre países de direita a favor da abertura comercial, a Argentina defendeu a adesão da aliada Bolívia como membro pleno do Mercosul.

“Acreditamos que a incorporação da Bolívia será uma enorme conquista. Um verdadeiro feito nesse processo de integração regional”, defendeu Alberto Fernández, anunciando qual será a sua prioridade no exercício da Presidência do Mercosul.

“O processo de adesão da Bolívia ao Mercosul favorecerá a convergência entre espaços de integração regional”, coincidiu o próprio presidente boliviano, Luis Arce.

Argentina, Bolívia e Venezuela -suspendida do Mercosul em 2016 por rotura da ordem democrática- formam uma aliança na América do Sul, região na qual todos os demais Governos são de direita.

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