Crianças e jovens. Óbitos são raros, mas estão a aparecer síndromes inflamatórios graves

Crianças e jovens. Óbitos são raros, mas estão a aparecer síndromes inflamatórios graves

Em Portugal, a morte de uma jovem de 19 anos por Covid-19 veio alertar de novo para os efeitos da doença na faixa etária pediátrica. Até agora, a experiência mundial indica que os mais novos não são grandes transmissores da doença, que a desenvolvem maioritariamente de forma leve e que raramente é fatal. Mas, nesta segunda vaga, estão a aparecer casos de síndrome inflamatório grave, três a quatro semanas após a infeção por covid. O intensivista pediátrico do Hospital Santa Maria, Francisco Abecasis, alerta os pais para estarem atentos a sintomas.

Há quase 20 mil crianças portuguesas que já foram infetadas pelo SARS CoV2, precisamente, 18 022, na faixa etária dos zero aos nove anos, e mais de 31 mil jovens, entre os 10 e os 19 anos. De um total de 344 700 casos positivos que o país registava neste sábado, só 49 023 dizem respeito à faixa pediátrica. Destes, há a registar apenas dois óbitos. Uma bebé de quatro meses infetada com covid e com múltiplas patologias, morreu em agosto, e, neste dia, 12 de dezembro, a Direção-Geral da Saúde deu conta de um segundo óbito na faixa dos mais novos, uma adolescente de 19 anos, do norte, e também com várias patologias associadas.

Os casos fatais ou de doença grave em crianças e jovens são raros, atestam os médicos e a literatura científica sobre a doença na pediatria, que sublinha que esta faixa, dos zero aos 19 anos, não só não é potencial transmissora da doença, como também não a desenvolve de forma grave. Aliás, uma das primeiras perceções em relação ao SARS CoV2 é que este seria um vírus que estaria a proteger os mais jovens.

O pediatra da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Santa Maria, Francisco Abecasis, diz ao DN não haver certezas sobre a razão pela qual as crianças e os jovens estão a ser mais poupados pela doença, “há várias teorias. Eu acho, desde o início, tem a ver com o sistema imunitário e como este reage quando há uma infeção nova”.

Ou seja, pormenoriza, “penso que se deve ao facto de o organismo das crianças e dos jovens estar preparado para encontrar novos vírus, o que não acontece com os adultos, cujo sistema imunitário já não está preparado para lidar com um vírus totalmente novo, acabando por desencadear uma resposta desproporcional à própria doença”.

Nos adultos, sublinha, por vezes, “é a própria resposta imunológica que causa mais danos do que o vírus. Por isso, é que as terapêuticas com imunossupressores, como, por exemplo, corticoides, acabam por ajudar bastante no seu tratamento”.

Até agora, é um facto que o vírus tem afetado a grande maioria das crianças e dos jovens da mesma forma: sintomas ligeiros e raramente com a morte. Um dos primeiros estudos realizados a esta faixa etária, a crianças a partir dos três anos e até aos 18, divulgado em junho revista científica, The Lancet Child & Adolescent Health, vinha confirmar: “A morte de crianças associada à covid-19 é muito rara, ocorrendo em menos de 1% dos casos, dado que a doença é, normalmente, moderada naquele grupo etário”.

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