OMS: Ausência de confinamento em Moçambique evitou consequências piores - Plataforma Media

OMS: Ausência de confinamento em Moçambique evitou consequências piores

O representante interino da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Moçambique, Tomás Valdez, referiu em entrevista à Lusa que o país adotou medidas de forma “equilibrada”, comparando com outros Estados, entre a crise sanitária e a económico-social.

“O Governo de Moçambique adotou medidas de uma forma equilibrada quando comparamos com o que aconteceu noutros países no mundo fora, tanto ao nível do continente africano, como em países europeus”, defendeu Tomás Valdez.

O representante da OMS referia-se à ausência de um confinamento total ou recolher obrigatório. Na sua opinião, a “margem para equilíbrio” teve um “efeito positivo em minimizar, e atenuar as consequências desta pandemia” no país, em termos económicos.

O Orçamento de Estado retificativo deste ano prevê uma desaceleração da economia de Moçambique, baixando a previsão de crescimento de 2,2% para 0,8% e diversas organizações humanitárias alertam para o aumento da insegurança alimentar – que afeta de forma crónica 7,5 milhões de moçambicanos, segundo o Programa Alimentar Mundial (PAM).

No entanto, Valdez não considera que a situação de Moçambique seja grave. Moçambique tem no total, cerca de 14.514 casos de covid-19 e 116 mortes, com um taxa de recuperação de 86%. A taxa de mortalidade situa-se nos 0,8%, quando nos países vizinhos a taxa varia entre 2% e 4%.

Apesar de considerar que a pandemia está controlada em Moçambique, Valdez reforça que a “pandemia ainda não está terminada”, sendo necessário manter as precauções necessárias, quer a nível institucional, quer a “nível comunitário, do indivíduo e da família”.

O mundo inteiro espera que, em breve, haja vacinas que acabem com a pandemia e Tomás Valdez refere que Moçambique também as receberá. Apesar de estar entre os países com menos recursos para poder comprar as vacinas, Valdez assegura que Moçambique beneficiará de mecanismos para a “partilha justa e igualitária” e que é importante nenhum país estar fora desses mecanismos.

Moçambique pediu 700 milhões de dólares (590,5 milhões de euros) aos parceiros no início da pandemia para enfrentar os choques económicos, sanitários e sociais.

Na última semana, o parlamento moçambicano aprovou o Orçamento de Estado retificativo de 2020 por forma a incluir um reforço de apoios no valor de 314 milhões de dólares (265 milhões de euros) de parceiros.

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