“Quem puder ajude-nos” – o apelo de Bispo de Pemba - Plataforma Media

Entrevista Plataforma: “Quem puder ajude-nos” – o apelo do Bispo de Pemba, uma cidade superlotada

São necessários poucos números para perceber a “tragédia” que se vive na província de Cabo Delgado”. Nem todos são confirmáveis, mas há entre 300 a 400 mil deslocados e o número de vítimas mortais estará acima dos dois mil.

O Bispo de Pemba, a capital da província, em entrevista ao Plataforma, diz que falta quase tudo, sobretudo comida. D. Luíz Fernando Lisboa salienta que é urgente acudir às pessoas e pede à comunidade internacional urgência.

Sublinha ser determinante evitar a burocracia para que se possa ajudar a resolver a “situação triste” que se vive no norte de Moçambique. Nessa zona do mundo a violência continua a produzir vítimas inocentes.

“Triste” é o adjetivo usado por D. Luíz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba, quando olha para o que está a acontecer na região norte de Moçambique.

Assim, a tristeza a Pemba chega todos os dias, cada vez mais de barco, porque as estradas são inseguras. Só nas últimas semanas foram mais de 12 mil os que chegaram à capital de Cabo Delgado, a maioria crianças que fogem dos ataques na zona mais a norte da província.

Pemba é nesta altura uma cidade superlotada. Há 95 mil pessoas a mais. Casas, quintais e praias não param de receber pessoas que fogem da violência. Um acolhimento massivo. Contudo, apesar da onda de solidariedade de quem vive na cidade, as condições de acolhimento são cada vez mais difíceis.

Poucos acampamentos

Pemba é só um exemplo. Na capital da província não há ainda acampamentos de refugiados, mas em Metuge já há. Sete acampamentos, que tentam acolher os que fogem da guerra. Só que já não chegam para suprir todas as necessidades.

Falta quase tudo, mas principalmente o que comer. São mais de 300 mil os deslocados (o Primeiro Ministro moçambicano fala em 420 mil) que fugiram sem nada. Falta sobretudo comida, mas também “panelas”, tendas e tudo o que é essencial para acudir os que – muitas vezes – apenas conseguiram salvar a vida.

Não é possível nesta altura contabilizar os mortos. Só depois dos atacantes saírem das aldeias se pode ter uma ideia do rasto que deixaram. Serão mais de duas mil as vítimas mortais e D. Luíz Fernando Lisboa, o Bispo de Pemba, em entrevista ao Plataforma, assume não saber como se pode travar este conflito.

Ajuda por “corta-mato”

À comunidade internacional, o Bispo de Pemba pede urgência. Lembra que é preciso ultrapassar a burocracia. Tudo é urgente, diz D. Luíz Fernando Lisboa. Não esperem que Moçambique peça ajuda, ofereçam ajuda e que ela venha por “corta-mato” para que chegue a tempo de acudir à situação que se vive em Cabo Delgado.

O caratér de urgência leva o Bispo de Pemba a deixar um apelo a todos quantos possam contribuir para salvar vidas naquela região do norte de Moçambique.

“Uma vida em França vale tanto quanto uma vida em África”, por isso diz D. Luíz Fernando Lisboa, quem puder deve tentar ajudar-nos.

O apelo deixado pelo Bispo de Pemba, D. Luíz Fernando Lisboa, que todos os dias enfrenta a tragédia que se vive na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Aquela região é palco de ataques armados há 3 anos, alguns deles reivindicados por grupos “jihadistas”, mas a sua autoria permanece em debate. Ainda assim, são ataques que também já provocaram pelo menos duas mil vítimas mortais e milhares de deslocados.

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