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Centros de incineração abertos ao público

Todos os dias, Yang Yuhua, 74 anos, acorda e vai de scooter até à “Sala Urbana”, a 1,5 quilómetros de casa, para fazer a ginástica matinal e passar um momento de leitura na biblioteca. 

O local favorito de Yang é na verdade um local de incineração de lixo perto de zonas residenciais, comerciais, industriais e turísticas, localizado a apenas 150 metros de distância de zonas habitacionais. 

A central, localizada em Yaguan, concelho de Wujin em Changzhou, província de Jiangsu, é agora um espaço aberto, de acesso livre para todos os residentes, com fontes, uma biblioteca, um campo de basquetebol, um café, entre outros espaços. Um grande número de residentes e visitantes passam por lá todos os dias. 

Existe uma ideia errada e alguns receios em relação à instalação de centros de incineração de lixo, e por isso a localização é muitas vezes controversa. Quando o projeto foi apresentado pela primeira vez, em 2006, Yang Yuhua afirma que muitos dos vizinhos estavam preocupados com a possível poluição. 

Para aliviar a apreensão de alguns residentes, a Guangda Environmental Protection Energy (Changzhou), empresa responsável pela central, afirmou que o nível de tecnologia utilizado na central é atualizado constantemente para reduzir as emissões poluentes e oferece a qualquer residente a oportunidade de visitar os centros de incineração em Xangai, Suzhou e Yixing, para que estes compreendam melhor o funcionamento. 

Yang Yuhua já visitou centrais de incineração por mais de uma vez, e concorda que grande parte da população confia mais nos próprios olhos e ouvidos. Apenas vendo, ouvindo e cheirando é que acreditam de facto nas promessas e medidas tecnológicas de proteção ambiental. “Quando visitei uma central pela primeira vez pensava que o cheiro iria ser muito forte, até intoxicante, e comprei uma máscara de propósito, mas depois da visita percebi que foi exagero da minha parte”, diz.

Desde 2016 que estas centrais têm de aplicar mais medidas de proteção ambiental e estão abertas ao público durante o primeiro fim-de-semana de cada mês. 

Um dos pontos mais importantes é o baixo nível de emissões. Mal se entra na central pode ver-se através das paredes de vidro um braço mecânico a incinerar lixo sem qualquer cheiro particular, durante todo o processo. Valores de emissões poluentes são também exibidos em tempo real num ecrã na sala central. 

Fu Shaoguang, diretor da Guangda Environmental Protection Energy (Changzhou), afirma que o sistema de gases de combustão desenvolvido pela empresa segue todas as regulações nacionais de emissões e que os valores médios são melhores do que os padrões da União Europeia, além de que todos os dados estão abertos para supervisão pública e governamental. 

Ultimamente, com a crescente procura chinesa por uma melhor qualidade de vida, a central, disponível para todos os residentes, tomou a iniciativa de demolir o muro que a protegia e construir uma série de edifícios para beneficiar e ajudar a população, tornando-se em 2019 a primeira central de incineração de lixo sem muros a operar na China. 

“Depois de o muro ter sido destruído, sentimo-nos mais confiantes em relação ao nível de proteção ambiental da central e ganhámos ainda novos espaços de convívio. Todos ficamos mais felizes”, explica Yang Yuhua. 

Shi Chunhua, diretor-geral-Adjunto da Guangda Environmental Protection Energy (Changzhou), afirma que a central atrai um grande número de visitantes todos os anos, ajudando a resolver a questão “NIMBY” (Not In My Back Yard, ou “no meu quintal não”) que surgiu durante a construção da central. 

Este é apenas um exemplo do recente esforço chinês em acelerar a abertura das medidas ambientais ao público geral. A província de Jiangsu, uma das principais forças económicas da China, arrancou em 2013 com a iniciativa de mostrar ao público em geral as medidas de proteção ambiental em funcionamento, selecionando uma série de estações de tratamento de lixo e organizando visitas para que as populações compreendam melhor as mudanças em curso para proteção do ambiente. 

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