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“É uma utopia pensar que vamos conseguir controlar isto”

Rita Rato Nunes

O norte voltou a ser, há uma semana, a região do país com mais novas infeções pelo novo coronavírus. A pressão sobre os serviços é grande, assume, ao DN o médico Gustavo Tato Borges do ACES do Grande Porto Santo Tirso/Trofa, onde nesta quarta-feira faltava fazer o rastreio de 50 doentes. “Não acredito que haja nenhuma unidade de saúde pública no norte que não tenha casos em atraso e todos os dias nos caem novos. É uma utopia pensar que vamos conseguir controlar isto”, diz.

Gustavo Tato Borges atende o telefone entre chamadas. Acabou um inquérito epidemiológico e está a pouco tempo de começar outro. A carga de trabalho não mexe com a sua boa disposição, no entanto, não se diz muito bem. Fica indeciso na resposta à primeira pergunta: “Como está?”

“Achava que estava mal, mas já percebi que há quem esteja pior. Portanto, não sei se estou bem ou mal. Neste momento, temos ​​​​​​quase 50 pessoas por contactar que de facto estão positivas [para a covid], mas um colega de outra unidade telefonou-me há pouco e disse: 50? Eu tenho 350.”

A conversa segue direita ao assunto. Gustavo Tato Borges é especialista em saúde pública, trabalha no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Grande Porto Santo Tirso/Trofa e é o vice-presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública. Desde que a pandemia do novo coronavírus começou que o seu trabalho é rastrear contactos, ou seja, identificar quem esteve perto dos casos positivos para covid e isolá-los para quebrar cadeias de transmissão. Trabalho este que se tornou ainda mais exigente nas últimas semanas.

A região norte voltou a ser a que regista o maior número de infeções diárias. Na semana anterior, foram confirmados mais 4065 casos de covid-19 no norte e 3046 em Lisboa e vale do Tejo. E desde segunda-feira a situação não se alterou. Nas últimas 24 horas, a região acrescentou mais 1001 das 2072 infeções notificadas pela Direção-Geral da Saúde, ou seja, 48,3% do total.

Gustavo Tato Borges é perentório a afirmar: “Nós estamos a assistir, neste momento, a um aumento de casos que é muito superior à capacidade que temos de resposta para os conter”, assumindo, em entrevista ao DN, que existe transmissão comunitária ativa por controlar na região.

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