Maduro acusa Colômbia de estar a treinar mercenários para sabotar eleições na Venezuela - Plataforma Media

Maduro acusa Colômbia de estar a treinar mercenários para sabotar eleições na Venezuela

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou hoje o Exército da Colômbia, país vizinho, de estar a treinar “mais de mil” mercenários, para sabotar as eleições parlamentares venezuelanas, previstas para o próximo dia 06 de dezembro.

“Neste momento em que estou falando, na Colômbia, mais de mil mercenários estão a ser treinados pelo Exército Nacional da Colômbia e por serviços de informação colombianos, com o conhecimento, proteção e apoio do Presidente Iván Duque”, do país, disse.

Maduro acusou ainda o seu homólogo colombiano de, nesses “planos para treinar mercenários”, haver “terroristas que pretendem infiltrar-se na Venezuela, para sabotar o clima político e eleitoral” para a eleição da Assembleia Nacional, disse.

Nicolás Maduro falava, por videoconferência, transmitida pelo Youtube e da plataforma Periscope TV, para o Festival Internacionalista dos Povos em Resistência 2020, um encontro digital político-cultural integrado na Semana Internacional de Luta Anti-Imperialista, iniciada a 5 de outubro.

Segundo Nicolás Maduro, a Venezuela é um país assediado por “uma guerra de caráter não convencional, económica, financeira, política, mediática”.

“Este ano pudemos conter uma invasão armada de mercenários treinados na Colômbia. Somos um país sob assédio, estamos sob ameaça permanente, [há uma] conspiração permanente, mas estamos em pé, sempre com um sorriso, com uma palavra de esperança, de combate”, disse., sublinhando que a Venezuela está preparada para responder às diferentes tentativas de criar instabilidade no país.

Nicolás Maduro disse ainda ter feito um convite à comunidade internacional para “acompanhar” (observar) as eleições parlamentares venezuelanas, convite que estendeu “aos movimentos sociais e intelectuais”.

“A Venezuela teve 24 eleições em 20 anos. Dessas 24, ganhámos 22, com voto popular, e perdemos duas que reconhecemos de imediato (…) O movimento bolivariano, revolucionário, construído pelo comandante [Hugo] Chávez [que presidiu o país entre 1999 e 2013], e que hoje lidero, sabe ganhar eleições, encabeçar lutas sociais, governar, enfrentar circunstâncias, mas também sabe perder”, disse.

Segundo o Presidente Nicolás Maduro, as eleições parlamentares têm “as mais amplas garantias eleitorais, que jamais se registaram na Venezuela”.

As próximas eleições legislativas na Venezuela estão marcadas para 06 de dezembro, data em que o Governo venezuelano espera renovar a Assembleia Nacional, onde a oposição é maioritária, liderada por Juan Guaidó.

No entanto, 37 organizações, entre elas os quatro maiores partidos da oposição (Ação Democrática, Primeiro Justiça, Vontade Popular e Um Novo Tempo), anunciaram que não vão participar nas legislativas, que antecipam ser “uma fraude”.

Desde junho, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela suspendeu a direção dos partidos opositores Vontade Popular, Primeiro Justiça e Ação Democrática, e também de vários partidos afetos ao regime, entre os quais Pátria para Todos e Tupamaro, e ordenou que fossem reestruturados, nomeando direções provisórias para esses partidos.

A decisão foi classificada pela oposição como uma manobra de preparação “para uma nova farsa eleitoral”, em que o regime decidirá quem preside aos partidos nas próximas eleições.

A Venezuela tem, desde janeiro, dois parlamentos parcialmente reconhecidos, um dominado pela oposição, liderado por Juan Guaidó, e outro pró-regime, liderado por Luís Parra, que foi expulso do partido Primeiro Justiça, mas que continua a dizer que é da oposição.

A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando Juan Guaidó jurou publicamente assumir as funções de presidente interino do país, até afastar Nicolás Maduro do poder.

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