Ativista lamenta adiamento de metas para redução de plásticos

Ativista lamenta adiamento de metas para redução de plásticos

A ativista ambiental e escritora Annie Lao mostrou-se preocupada com a decisão do Governo de Macau em adiar a fixação de datas para a redução do uso de produtos descartáveis de plástico no território.

Em conversa com o PLATAFORMA, a ambientalista comentou assim uma resposta enviada ao deputado Sulu Sou pela Direção dos Seviços de Proteção Ambiental, no final de setembro, na qual esta se escusou a fixar datas para a redução do uso de produtos descartáveis de plástico em Macau.

“Preocupam-se mais com a quantidade de entradas no território para fomentar a economia de turismo do que com o ambiente. Enquanto a sustentabilidade for um objetivo colocado em segundo ou terceiro planos, nunca iremos alcançar uma economia sustentável”, disse.

A ativista de Macau vê nos comportamentos europeus um exemplo para o território. “Apelo ao Governo para adotar medidas mais drásticas. Na Europa estão a fazer grandes progressos para alcançar um modelo que permita um desenvolvimento económico aliado à proteção ambiental. Aqui não acontece”.

A Dinamarca, um dos países mais avançados em relação à concretização dos dezassete objetivos fixados pelas Nações Unidas para o ambiente, é vista como um exemplo no que toca às energias limpas, à sustentabilidade e ao combate contra as alterações climáticas.

O canal televisivo Euronews esteve em Sonderborg, uma pequena cidade dinamarquesa empenhada em atingir a neutralidade carbónica em 2029. Graças ao ProjectZero, Sonderborg quer tornar-se na primeira cidade europeia a suprimir totalmente as emissões de CO2. O objetivo do projeto é provar que é possível fazê-lo com a participação ativa das empresas locais e dos habitantes. A iniciativa reúne fundos do município e das empresas do setor energético.

Até agora, foram reduzidas 40 por cento das emissões de carbono na cidade. “Enquanto parceria público-privada podemos trabalhar em conjunto. O nosso objetivo é a eficiência energética: rever o nosso modo de vida, encontrar formas de reduzir o consumo e as emissões e de produzir novas formas de energia”, disse à euronews Hans Lehmann, presidente do conselho de administração do ProjectZero.

Falta ainda suprimir 700 mil toneladas de emissões. Uma das soluções passa pela construção de um parque eólico para baixar as emissões para 400 mil toneladas em 2025.

Mas para a defensora do ambiente “nem tudo é mau” em Macau. Annie Lao disse acreditar que a lei que entrou em vigor no ano passado, que taxa os sacos de plástico, ajudou a combater o problema. “Desde novembro observo mais pessoas a ir às compras com sacos reutilizáveis, mas não é o suficiente”.

Relativamente à aposta do Governo em educar a população a fazer escolhas mais amigas do ambiente, a ativista considerou que “a população já está sensibilizada para o fenómeno do aquecimento global, mas se o Executivo não restringe o uso de plásticos e de outros produtos poluentes, as pessoas continuam a utilizar o que é mais conveniente”.

Mas o problema não fica por aqui. Annie afirmou que o Governo tarda em apresentar soluções, não só para o plástico. Para este produto, já existem substitutos, que não parecem ter viabilidade para as autoridades. “As palhinhas podem passar a ser feitas de papel, as embalagens de uso único podem ser feitas de cana-de-açúcar ou amido de milho. É uma questão de analisar as hipóteses que temos e perceber o que essas mudanças significam monetariamente para o Governo”, salientou.

“As prioridades têm de ser invertidas”, concluiu.

NA resposta a Sulu Sou, os Serviços de Proteção Ambiental argumentaram que “existem diferentes opiniões na sociedade sobre a implementação de medidas restritivas, pelo que o Governo deve equilibrar e ponderar” a eficácia das proibições.

Segundo o Executivo, a aposta deve passar pela sensibilização do impacto da utilização de plásticos no meio ambiente. Esta, será a forma mais eficaz para “promover práticas mais amigas do ambiente”.

No entanto, os Serviços de Proteção Ambiental afirmam que, embora não haja uma meta estipulada, continuará a “proceder-se à revisão dos trabalhos relacionados”. 

As medidas adotadas preocupam. Em Novembro do ano passado entrou em vigor a primeira lei que restringiu o uso de plásticos, passando a taxar o produto. Uma pataca por saco plástico no comércio. No entanto, de acordo com o relatório mais recente do estado ambiental da região, a percentagem de resíduos plásticos aumentou, em 2019, para 24 por cento do total de resíduos sólidos urbanos produzidos em Macau.

Na região, por pessoa, produz-se mais resíduos do que em cidades de grande densidade populacional como Hong Kong, Singapura, Pequim, Cantão ou Xangai.

Na missiva, os Serviços acrescentaram ainda que, no último trimestre do ano (já em curso), vão levar a cabo um novo estudo para “comparar a tendência da variação dos sacos de compras abandonados, incluindo os sacos plásticos”. O último estudo deste género foi realizado há dois anos.

Os Serviços de Proteção Ambiental adiantaram que, “num futuro próximo”, vão realizar “uma avaliação regular” e adotar “medidas quando for necessário”. 

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