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Perdoar o passado

Há uma dimensão estranha na projeção do futuro: tudo anuncia a mudança para outra dimensão das coisas. Nestes processos, ao desconhecido chamam Barrabás – o bode que espia a culpa. A circunstância barra sempre, por medo e insegurança, o desconhecido que não domina. Mas os valores que aí vêm não são propriamente novos. Regressam do tempo que os rejeitou e vilipendiou, em nome da narrativa do poder, da riqueza para uns… e o silêncio dos outros. São esses gritos que ecoam no novo mundo: os do eterno retorno.

As intuições são o que são. Não são imperativos éticos, falsa criação para que a estória pequena pareça ser grande. Mas sim os do mundo que é anterior a tudo isso. Quem combate o futuro paga com o corpo e o espírito. Tenha ou não razão, o futuro acontece sempre. Seja qual for o conto que o traveste de ilusão.

Há um exemplo lusófono, na terra do poder, que espelha o que está a acontecer. Durão Barroso, mestre nos bastidores do passado, vem desse mundo que perde a narrativa e a ação… ruiu. Mas é agora o rosto do multiculturalismo, da partilha, da consciência de que o combate à pandemia inclui a proteção dos pobres e desamparados. Porque se eles caiem ao chão, arrastam consigo a elite até para as catacumbas da desgraça.

Curioso… o rosto da cimeira dos Açores, que narrava a ameaça nuclear, transformando o takeover do petróleo do Iraque no falso imperativo da sobrevivência; o homem que só via na Índia a democracia asiática, que admirava o negócio em Singapura, e anunciava o perigo em Pequim… vem agora dizer que o conflito entre a China e os Estados Unidos não faz sentido.

As almas pequenas agitam-se: como é possível? Vejam só! Já eu… quero aplaudir. O futuro baixa a arrogância, abre a porta a quem muda, partilha a essência do que tem valor. Venham de onde vierem… Afinal, viviam no mundo que havia. Bem vindos aqueles que abraçam o que é vital. Quem voltar a vender ilusões, cego com o passado, verá o seu templo ruir. Os outros terão lugar na graça que o futuro concede.

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