Cerca de 40% da floresta amazónica pode virar savana, diz estudo - Plataforma Media

Cerca de 40% da floresta amazónica pode virar savana, diz estudo

Até 40% da floresta amazónica pode transformar-se em savana antes do fim do século devido à falta de chuvas causada pelas emissões de gases causadores do efeito estufa, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (5).

As florestas são muito sensíveis às mudanças no regime de chuvas em longos períodos, já que a falta de água mata as árvores.

O fenómeno tem consequências, como a perda dos ecossistemas tropicais e uma capacidade menor para absorver as emissões de gases de efeito estufa de origem humana.

Uma equipe de cientistas europeus usou os últimos dados atmosféricos disponíveis para simular a reação das florestas húmidas à mudança no regime de chuvas. Além disso, também visaram simular especialmente as consequências da continuação do uso de combustíveis fósseis até o final do século. 

Eles calcularam que as chuvas na Amazónia já estão tão baixas que até 40% de sua floresta pode se transformar em sistema de pastagem, segundo o estudo do Stockholm Resilience Centre, publicado na Nature Communications.

A autora principal do estudo, Arie Staal, destaca que as florestas húmidas normalmente criam suas próprias precipitações por evaporação, beneficiando o crescimento das árvores.

Mas o contrário também acontece. Quando as chuvas param, a floresta desaparece. “Quando a floresta diminui, há menos chuvas, o que causa a seca, mais incêndios e perda de árvores: é um ciclo vicioso”, segundo ela.

O estudo buscou analisar a resistência das florestas tropicais húmidas em cenários extremos.

Num desses casos, os pesquisadores concluíram que se desparecerem brutalmente, as florestas húmidas teriam muita dificuldade para se reconstruir.

Além da bacia amazónica, o estudo estabelece que a bacia do Congo também pode se transformar em savana. 

“Compreendemos agora que as florestas húmidas em todos os continentes são muito sensíveis às mudanças globais e podem rapidamente perder sua capacidade de adaptação”, segundo Ingo Fetzer, do Stockholm Resilience Centre. 

“Se desaparecerem, a sua restauração até o estado original levará décadas”, disse. 

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