"A China vai começar a perder população e será uma potência mais fraca"

“A China vai começar a perder população e será uma potência mais fraca”

É co-autor de um livro que prevê o declínio da população mundial. O jornalista canadiano John Ibbitson participa esta quarta-feira no primeiro dos três dias das Conferências de Lisboa sobre a aceleração das mudanças globais.

A quarta edição das Conferências de Lisboa arranca esta quarta-feira com a participação do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e prossegue até sexta-feira. Devido à pandemia, a organização – a cargo do Clube de Lisboa – adaptou o formato para o online (mais informações aqui), o que deixou o jornalista do The Globe and Mail John Ibbitson desolado por não poder regressar a Portugal.

Se fosse um entrevistador nesta conferência sobre a aceleração da mudança global a quem gostaria de fazer uma pergunta, e qual seria?
Gostaria de perguntar ao diretor da Divisão de População das Nações Unidas [John Wilmoth] quando é que vai mudar os números sobre as previsões. Há pouco tempo, e pela primeira vez, as projeções da ONU baixaram os números, de 11,8 mil milhões de pessoas no final do século para 10,9 mil milhões. Mas desde que o livro [Empty Planet – The Shock of Global Population Decline, escrito com Darrell Bricker] foi publicado há novos estudos e dados que apontam para muito menos. O declínio da população mundial vai acontecer mais rapidamente do que previmos no livro. A Índia já atingiu a taxa de substituição [2,1 filhos por mulher] e em muitos países a queda está a ser mais rápida.

No livro concluíram que a população mundial irá diminuir devido a dois fatores: há cada vez mais pessoas nas cidades e mais mulheres a trabalhar. Tiveram em conta outros fatores, tais como a religião ou a taxa de mortalidade infantil?
O livro [Empty Planet] parte da premissa de que as projeções das Nações Unidas sobre a população estão erradas. As Nações Unidas acreditavam que iríamos atingir os 11 mil milhões no final do século antes de estabilizar. Essa é a sabedoria popular que se encontra em muitos filmes e livros de uma Terra envenenada devido à sobrepopulação. Escritos como o de [Paul] Ehrlich ou do Clube de Roma [Os limites do crescimento] sustentam que o crescimento da população é a nossa maior ameaça. Darrell [Bricker] e eu sabíamos que havia vários demógrafos que punham em causa os números das Nações Unidas. Queríamos saber se tinham um bom argumento e se este podia ser traduzido numa história que o leitor comum pudesse compreender. Fizemos a nossa investigação, viajámos à volta do mundo e falámos com demógrafos, estatísticos e académicos, mas também com pessoas novas e em especial mulheres jovens para sabermos quais são os seus planos, as suas prioridades. E chegámos à conclusão de que os demógrafos estão certos, a população planetária vai chegar aos 9 mil milhões a meio do século, mas depois vai decrescer. E vai acontecer devido a quatro razões, duas das quais já mencionou. O planeta tem vindo a urbanizar-se de forma contínua. Ao trocarmos o campo pela cidade a utilidade das crianças muda. Uma criança no mundo rural pode ser uma mais-valia para trabalhar no campo. Uma criança na cidade é um passivo, é mais uma boca para alimentar. Em termos económicos faz sentido ter menos filhos.

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