Europa ultrapassa os 5 milhões de casos de Covid-19 e endurece restrições

Europa ultrapassa os 5 milhões de casos de Covid-19 e endurece restrições

A França ordenou esta quarta-feira (23) o encerramento de bares e restaurantes de Marselha, a segunda maior cidade do país, no momento em que a Europa ultrapassa os 5 milhões de casos de Covid-19 e começa a impor restrições mais rígidas para refrear a propagação do vírus.

Quase 32 milhões de pessoas foram infectadas e mais de 971.000 faleceram no mundo desde que o coronavírus foi detectado pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China, no final de 2019.

Após reabrir sua economia devastada pelas medidas de confinamento, a Europa enfrenta um ressurgimento da doença, o que obrigou as autoridades a endurecer as medidas.

Mais da metade das infecções europeias foram registradas na Rússia, seguida de Espanha, França e Reino Unido. Os 380.000 casos notificados na última semana correspondem ao maior número de contágios na região desde o início da pandemia.

Na França, duas das áreas mais atingidas pelo surto do vírus foram declaradas em “alerta máximo”: Marselha, uma cidade portuária mediterrânea, e a ilha de Guadalupe, no Caribe.

Este alerta, que precede o estado de emergência sanitária, obriga o fechamento de todos os bares e restaurantes, uma medida que entra em vigor no sábado e afetará um setor de economia que já anda mal das pernas.

Onze outras grandes cidades francesas, incluindo a capital Paris, Lyon e Nice, foram declaradas “zonas de alerta reforçado”, o que significa limitações para reuniões públicas de mais de 10 pessoas e horários de fechamento mais cedo para bares.

Surtos em Madrid

A região de Madri, epicentro de uma explosão de infecções na Espanha, limitou a mobilidade de cerca de 850.000 pessoas.

Madri pedirá o apoio “urgente” de militares para realizar testes e trabalhos de limpeza diante do novo surto. Na sexta-feira, a capital ampliará as zonas sob restrições, anunciaram as autoridades.

O governo britânico também anunciou novas pautas para tentar deter o crescente número de vítimas. As medidas entrarão em vigor para pubs e restaurantes nesta quinta-feira, e obrigará estes locais a fechar as portas às 22h00.

Também foi cancelada a reabertura de eventos esportivos ao público, prevista para 1ª de outubro.

O Reino Unido registrou mais de 6.000 novos casos em 24 horas nesta quarta-feira, com quase 42.000 mortes desde o início da pandemia.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, alertou que as novas restrições poderão durar até seis meses. Seus assessores haviam afirmado que o Reino Unido poderá contabilizar 50.000 casos novos de coronavírus por dia em meados de outubro se medidas rígidas não forem aplicadas.

Impacto catastrófico no emprego

Na Assembleia Geral da ONU, que se realiza em formato virtual, o secretário-geral da entidade, Antonio Guterres, urgiu os países e meios de comunicação a combater a desinformação sobre o coronavírus e as possíveis vacinas.

“A covid-19 não é só uma emergência de saúde pública, mas também uma emergência de comunicações”, afirmou.

Em seu discurso diante da comunidade internacional, o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, propôs convocar um grupo de líderes mundiais para formular um plano de recuperação mundial pós-pandemia.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) informou que a pandemia teve um impacto “catastrófico” no emprego, com centenas de milhões de postos de trabalho perdidos e trabalhadores sofrendo uma queda vertiginosa em suas rendas.

Para o quarto trimestre deste ano, a previsão é de que a perda de horas de trabalho seja de 8,6%, equivalentes a 245 milhões de empregos em tempo integral.

A OIT alertou também para “grandes disparidades em matéria de incentivos fiscais que ameaçam com aumentar a desigualdade entre os países mais ricos e os mais pobres”.

Preparação para a vacina

O continente americano continua sendo o mais atingido pela covid-19.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) lamentou as mais de 200.000 mortes nos Estados Unidos e lembrou que Brasil, Peru, Colômbia, México e Argentina seguem entre os dez países com o maior número de contaminações no mundo.

Carissa Etienne, diretora da Opas, alertou que a covid-19 continuará se espalhando mesmo após a existência de uma vacina, e pediu para que os países se preparem para imunizar a população sem baixar a guarda com as medidas tomadas para frear as contaminações.

Ciro Ugarte, diretor de Emergências Sanitárias da Opas, pediu a manutenção das precauções para evitar surtos como na Europa.

Um estudo científico publicado na plataforma medRxiv acredita que Manaus poderia ter alcançado uma “imunidade de rebanho” devido ao alto número de contaminações que a tornaram uma das cidades mais atingidas pela pandemia.

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