Europa vende toneladas de pesticidas proibidos a países pobres - Plataforma Media

Europa vende toneladas de pesticidas proibidos a países pobres

Uma investigação da Greenpeace conclui que mais de 81.600 toneladas de produtos químicos agrícolas proíbidos na Europa foram enviadas para países em desenvolvimento em 2018.

Uma nova investigação da Greenpeace, baseada na análise de 400 relatórios de empresas europeias, conclui que a Europa vendeu mais de 81.600 toneladas de pesticidas proibidos em 2018 – incluindo dicloropropeno, cianamida, paraquat, herbicida trifluralina, acetocloro e atrazina – para 85 países, dos quais três em cada quatro são países em desenvolvimento. O Reino Unido está no topo da lista com 82% destas exportações.

A União Europeia decidiu banir estes pesticidas porque têm efeitos danosos ao ecossistema, como a poluição das águas, a alteração das populações de insetos polinizadores, pássaros e peixes. Além disso, podem aumentar o risco do aparecimento de doenças como Parkinson ou cancro e afetar os sistemas endócrino e reprodutivo do ser humano, algo que as Nações Unidas já alertavam há três anos, denunciando graves abusos por parte da indústria que produz esses produtos .

“O facto de um produto ser proibido na Europa não significa que seja ilegal em África”, indica Diego Ayala, entomologista do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) de Marselha (França), ao ao jornal espanhola El Pais.

No mapa que ilustra as exportações, a Europa aparece como um centro intocável de onde partem stes produtos para todo o mundo. Em África, a África do Sul é um dos maiores destinos da indústria europeia, principalmente alemã e francesa, juntamente com Marrocos e outros 18 países do continente. Índia, Indonésia e outros países asiáticos também não fogem do mercado e recebem produtos químicos de grandes países europeus, principalmente de França. O objetivo dessas áreas em desenvolvimento é combater pragas, ervas daninhas, insetos e microorganismos que colocam em risco a monocultura, emborasejam claramente prejudiciais à saúde.

Este trabalho levanta uma questão inevitável: Por que é que a Europa continua a fabricar e enviar estes produtos tóxicos fora de suas fronteiras? Doug Parr, diretor científico da Greeanpeace UK que participou no projeto, vinca que “são produtos químicos muito, muito prejudiciais”. “A Europa mostrou que a agricultura pode seguir o seu curso sem usá-los. Temos que ajudar esses países em desenvolvimento e dar-lhes alternativas de acordo com suas condições”, sustenta.

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