Dezenas de corpos de cães carbonizados encontrados em lixeira de Cabo Verde - Plataforma Media

Dezenas de corpos de cães carbonizados encontrados em lixeira de Cabo Verde

Uma organização da sociedade civil cabo-verdiana denunciou hoje que “dezenas” de corpos de cães carbonizados foram encontrados nos últimos dias, por um voluntário, na lixeira municipal de Favatal, ilha da Brava, exigindo o apuramento de responsabilidades.

Em comunicado enviado hoje à Lusa, o Movimento Civil para as Comunidades Responsáveis (MCCR) afirma que “aconteceu o inimaginável” na ilha da Brava, documentando a denúncia com várias fotografias alegadamente alusivas ao caso: “São dezenas de cães que foram abatidos com método ainda não confirmado. É possível que tenham sido enforcados ou mesmo queimados ainda vivos”.

A Lusa tentou uma reação da câmara da Brava, sem sucesso. Contudo, o presidente do município, Francisco Tavares, já afirmou publicamente, depois de terem começado a circular as primeiras fotografias dos corpos carbonizados dos animais, que será aberta uma investigação ao caso e que a autarquia desconhece essa prática.

Contudo, o MCCR garante que um voluntário da organização reuniu-se com a vereadora do município da Brava responsável por esta área, que explicou que a Câmara “fez um acordo” em que “disponibiliza viatura e meios para os criadores de gado que fazem a captura dos cães” vadios.

“Esta atividade está em curso já faz uma semana e ainda vai continuar. A vereadora não conseguiu dizer o número de cães até agora capturados, nem o dos abatidos. Há cães capturados sob guarda do município. Os que forem reclamados por seus donos serão devolvidos dentro do prazo e contra o pagamento da multa estabelecidos e previamente anunciados num aviso”, explica o MCCR, citando a explicação recebida da autarquia.

O problema dos cães vadios em Cabo Verde, com ataques a gado e pessoas, prolonga-se há anos, mas o MCCR também recorda que a “tortura institucionalizada” destes animais “existe desde há muito” no arquipélago.

“O pessoal das câmaras municipais, os captores que também executam os animais, não têm formação alguma, nem são instruídos para os tratarem bem. Cometem as maiores atrocidades. Há relatos de cães que fugiram das lixeiras, onde são depositados depois da captura, e apareceram na comunidade com ferimentos graves causados por machim, na cabeça, nas costelas e nas coxas. A tortura dos animais continua a ser praticada e fica impune”, critica a organização.

Assine nossa Newsletter