União Africana aplaude combate à corrupção em Angola - Plataforma Media

União Africana aplaude combate à corrupção em Angola

Em entrevista à televisão pública de Angola, o diplomata angolano Sebastião da Silva Isata, colocado na União Africana (UA), disse que a luta contra a corrupção e pela boa governação em Angola tem sido “encarada com bons olhos” pela organização e pela comunidade internacional

No programa “Grande entrevista” da Televisão Pública de Angola (TPA), o actual presidente da Comissão do Direito Internacional da UA sublinhou que a cruzada, em respeito a convenções africanas e internacionais, mostra que numa sociedade democrática e de direito ninguém está acima da lei e que a liberdade de cada um termina onde começa a do outro.

Sebastião Isata reconheceu o empenho do Estado angolano na consolidação da democracia constitucional, pluralista e na afirmação do país, enquanto Estado de Direito.

Segundo o diplomata, a cada geração de angolanos corresponde uma missão histórica, sublinhando que a do Presidente Agostinho Neto coube a responsabilidade de conduzir a luta de libertação, a de José Eduardo dos Santos, continuar o percurso de libertação dos povos oprimidos e a de João Lourenço, a da consolidação da democracia e do Estado de Direito.

Atenção para a juventude

O também professor universitário defendeu uma maior atenção ao ser humano, particularmente à juventude, criando oportunidades de empregos, consolidando a cultura democrática e o princípio da unidade na diversidade.

Presidente da Comissão do Direito Internacional da UA desde 2016, Sebastião Isata considerou constrangedor que de 2019 a 2020 tenham morrido 19 mil dos mais 110 mil jovens na tentativa de travessia do Mediterrâneo em direcção à Europa.

Sublinhou que esse quadro propiciou que jovens fossem vendidos em países árabes, como a Líbia, o que chocou a consciência colectiva e obriga a adopção de uma convenção africana contra a escravatura contemporânea, ainda difícil de identificar.

À propósito da emigração de africanos, apontou como principais causas os conflitos regionais, étnicos, a ausência de verdadeiras democracias constitucionais fundadas nos princípios da lei, a ausência de boa governação, do respeito pelos direitos humanos e o desemprego galopante.

O angolano ao serviço da UA informou que cerca de 200 milhões de africanos não têm acesso aos serviços de saúde, 46 por cento vivem com menos de um dólar por dia e em cada três segundos morre um africano por doença.

Sebastião Isata manifestou cepticismo na capacidade das lideranças africanas contraporem os efeitos da pandemia da Covid-19, atendendo a exiguidade de recursos financeiros.O diplomata referiu, como exemplo, que os EUA adoptaram um orçamento de 2 triliões de dólares para contrapor os efeitos da pandemia, a União Europeia 2 biliões de euros, enquanto a África aprovou um orçamento de 63 milhões, correspondendo a menos de 50 cêntimos para cada um dos seus perto de 900 milhões de habitantes.

A agravar o quadro, prosseguiu, a União Africana tem um orçamento de 679 milhões, 98 milhões dos quais emprega em missão de manutenção de paz e da luta contra o terrorismo.

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