Estudantes vítimas colaterais da pandemia - Plataforma Media

Estudantes vítimas colaterais da pandemia

A pandemia global causada pelo novo coronavírus estragou os planos de muita gente. Em entrevista ao PLATAFORMA, um aluno de Macau que estuda no estrangeiro falou das incertezas em relação ao próximo ano letivo, encarando a possibilidade de “a única solução” para quem estuda fora poderá ser… ficar em Macau. A Associação de Estudantes Chong Wa, a maior de Macau, lembrou que os estudantes locais no estrangeiro sofrem uma grande pressão psicológica.

Leo Lee foi um dos primeiros a regressar a Macau em pleno período da pandemia no âmbito de um processo do Executivo local destinado a apoiar o regresso à cidade dos alunos locais a estudarem no estrangeiro. Chegou a Macau, vindo do aeroporto de Hong Kong, numa viagem de autocarro pela maior ponte do mundo construída sobre o mar. Lembrou a vinda não foi uma decisão fácil para quem estava a estudar no estrangeiro, principalmente devido à preocupação que esse regresso podia causar junto da população local.
“Mesmo agora, ainda existem algumas pessoas que acusam os estudantes que regressaram a Macau de terem trazido de volta o vírus para a cidade” (em Macau só se verificaram dois casos de transmissão local, num universo de 46 infetados desde janeiro até junho e sem qualquer registo mortal).
Por isso fez questão se acentuar que essa situação se revelou “extremamente desconfortável”, apelando para que as pessoas tentem compreender a situação daqueles que estudam no estrangeiro.
Relembrou que foi testado através de colheitas na nasofaringe e faringe durante a quarentena e que quando perguntou ao responsável de saúde o que iria ser feito com as amostras, responderam-lhe que a equipa de testes e a equipa de recolha eram unidades diferentes. Sugeriu por isso que o teste fosse unificado, garantindo assim que a recolha e os exames médicos de um paciente fosse da responsabilidade de uma única equipa.
No âmbito de um novo processo de “repatriamento” de alunos que continuavam no exterior, igualmente promovido pelo Governo entre meados de junho e o meio deste mês (terminou ontem, dia 16), cerca de 400 alunos expressaram vontade em regressar. Entretanto, com este programa de regresso já terminado – o ferry que liga Macau ao aeroporto de Hong Kong foi suspenso ontem – a Direção dos Serviços do Ensino Superior já anunciou que não irá ser prorrogado e reativado.
Para o estudante, tendo em conta que a pandemia continua em desenvolvimento, não é possível para já saber quais as soluções que o Governo está a pensar adotar para preparar o regresso dos alunos aos países onde estudam. Leo Lee disse acreditar que a maioria dos estudantes irá comprar os bilhetes de regresso para entre meados e finais de agosto, mas desconhecendo ainda se haverá um novo corredor para viajar através de Hong Kong., cidade vizinha de novo acometida do que parece ser um novo surto de covid-19.

A suspensão do ferry irá com certeza influenciar a decisão dos estudantes que estão agora a pensar voltar, os quais poderão vir a precisar de apelar à ajuda das autoridades


Leo Lee, vai que vai entrar na Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa, disse que apesar da situação epidémica ainda ser relativamente grave na Europa, as escolas já receberam ordens de reabertura e já ajustaram a forma como as aulas serão organizadas.
“Será aumentada a frequência de aulas com um pequeno número de alunos, e as anteriores aulas nos grandes auditórios passam a ser dadas online”, contou. Esclareceu que, ao contrário de alguns amigos que optaram por ficar a estudar em Macau, com medo de poderem ser infetados nos países onde estudam, ele continua a querer voltar para Portugal.
“Se não conseguir regressar a Portugal até meados de agosto, então terei de ficar a estudar em Macau, mas apenas se não houver qualquer outra solução”, atirou.
Sugeriu também a todos os que estudam no estrangeiro para estarem atentos às constantes alterações impostas pelos governos no âmbito das diferentes políticas de combate à pandemia, já que os regulamentos de entrada e saída, assim como a política de vistos pode ser alterada a cada momento.

Associação de Estudantes fala de pressão psicológica
Candy Un, vice-presidente da Associação de Estudantes Chong Wa, admitiu em declarações ao PLATAFORMA que os estudantes de Macau no estrangeiro têm sofrido muita pressão psicológica com a pandemia.
“A maioria destes estudantes estão sozinhos, não têm grande apoio à sua volta, e com o atual semestre a terminar em muitas escolas, estes poderão não ter já voos diretos de regresso a Macau”, lembrou.
A dirigente associativa não deixou de assinalar que o corredor aberto para ligar Hong Kong a Macau, destinado a permitir o regresso de cidadãos residentes ao território está encerrado e com isso diminuíram drasticamente as possibilidades de voltarem para a sua terra.
“A suspensão do ferry irá com certeza influenciar a decisão dos estudantes que estão agora a pensar voltar, os quais poderão vir a precisar de apelar à ajuda das autoridades”, afirmou, assegurando que se receberem queixas nesse sentido as transmitirão ao Governo.
Interrogada se esta dificuldade em assegurar transporte de e para Macau poderá ter peso na decisão de estudantes saírem para estudar no exterior, Candy Un escudou-se na ausência de dados concretos para tirar uma conclusão mas lá recordou que “alguns alunos aceites em universidades do continente decidiram agora participar no Exame Unificado de Acesso de Macau”.
Em meados de março, o Governo de Macau enviou para o aeroporto de Hong Kong, durante 15 dias consecutivos, autocarros para o transporte de mais de 2000 residentes locais que estavam de volta à cidade. Entre os dias 16 de junho e ontem, 16 de julho, foi também fornecido pelas autoridades locais um serviço especial de transporte entre o Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa e o aeroporto de Hong Kong, com dois ferrys diários.

Se não conseguir regressar a Portugal até meados de agosto, então terei de ficar a estudar em Macau, mas apenas se não houver qualquer outra solução
Leo Lee, estudante
A maioria destes estudantes estão sozinhos, não têm grande apoio à sua volta, e com o atual semestre a terminar em muitas escolas, estes poderão não ter já voos diretos de regresso a Macau
Candy Un, dirigente associativa

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